Autora visita escritora amadora

by Nina Vieira

“Vagueio,não navego na internet (não sei fazê-lo). E de repente lhe encontro, me encontro, nesta dor tão fatalista e tão conformada. Continuo, pretensiosamente, gostando do que escrevi.”
:: Normalice Souza

Abri o blog, como de costume, em uma manhã cinzenta, gris. Vi os comentários recentes e um nome conhecido – porém distante, passageiro, nome que repousa ali, em minha estante, junto com alguns livros que roubei da biblioteca do colégio (sim, continuo com o meu ato criminal, pecaminoso, marginal).
Canção Inglesa é um livro de capa azul que repousava empoeirado na quinta prateleira da nunca visitada biblioteca da escola. Eu me negava a lê-lo. Livro de poucas páginas não me interessam. Mas eram contos e crônicas e eu queria uma leitura leve para um fim-de-semana em pleno abril.
Me encantei de imediato, só precisei abrir o livro e o título me interessou muito. Eu estava naquela fase (estou ainda) de romances do século XVIII e crônicas que falam de amores frágeis e feridos.
Ali eu tive a certeza: Normalice Souza escreveu aquele livro para mim. Não tive dúvidas. Inconscientemente, sem pensar, mas escreveu para mim.
Ela me encontrou porque eu havia publicado aqui um trecho da sua crônica Vida Suicida, que serviu de base (inspiração mesmo) para a minha crônica Vozes do meu rádio. Ela provavelmente pesquisou o próprio nome no Google e encontrou minha postagem. E aqui comentou. Fiz a mesma pesquisa, mas encontrei pouco dela. Nenhuma foto, aliás. E gostei disso. Porque Normalice é um mistério visitante e assim quero que permaneça.
Eu não sei quando essa boa alma retornará sua visita. Nem mesmo sei se o fará. Mas gostei muito. É a primeira vez que uma escritora de verdade vem até mim, geralmente sou eu quem corro atrás dos autores que gosto (e sem receber respostas, tudo bem). Quis retribuir da melhor forma, já que ela não deixou contato.
À Normalice, muito obrigada, seja muito bem-vinda e volte sempre que quiser ler esses devaneios, crises, crônicas mal-feitas e tudo o mais que eu tento agradar (e muitas vezes nem isso) e que tento aprender (com os meus erros).