Literatura retrô

by Nina Vieira

Anna e Amanda me convidaram, no início do ano (veja bem o meu atraso) para um divertido meme literário relacionado aos livros que li no ano anterior. Fiquei atrasando e atrasando esse meme, sob a justificativa de que o publicaria no período em que fosse aniversário do blog, ou seja, no mês de março. Bom, perdoem-me, pois hoje é dia 31 já, mas eu não gostaria de deixar passar em branco os livros que me acompanharam em 2010, porque foram todos muito bons mesmo. Como sei que a maioria já fez esse meme (todo mundo, né?!), não indicarei ninguém. Para quem ainda não fez, fique à vontade com o desafio abaixo.

Keira Knightley como Elizabeth Bennet, no filme Orgulho e Preconceito.

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Os livros que li em 2010:

1. Bagagem, de Adélia Prado;
2. Nove, Novena de Osman Lins;
3. Cartas de Amor de Homens Notáveis, de Úrsula Doyle;
4. Buarque: Uma família Brasileira, de Bartolomeu Buarque de Holanda;
5. Na Luta (sem pedir licença), de Eliane Maciel;
6. Os Bares Morrem Numa Quarta-Feira de Paulo Mendes Campos;
7. Fogo Pálido, de Vladimir Nabokov;
8. A Palavra Nunca, de Eric Nepomuceno;
9. O Fazedor de Velhos, de Rodrigo Lacerda;
10. Indícios Flutuantes, de Marina Tsevetáieva;
11. O Coração Disparado, de Adélia Prado;
12. Contos Mínimos, de Heloísa Seixas;
13. Leite Derramado, de Chico Buarque;
14. O Estranho Caso de Mademoiselle P., de Brian O’Doherty;
15. Memorial de Aires, de Machado de Assis;
16. Demian, de Hermann Hesse;
17. Inventário do Ir-Remediável, de Caio Fernando Abreu;
18. Kafka e a Boneca Viajante, de Jordi Sierra i Fabra;
19. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen;
20. Luís XVI, de Bernard Vincent;
21. Mar Absoluto & Outros Poemas, de Cecília Meireles;
22. Retrato Natural, de Cecília Meireles;
23. Para Viver Um Grande Amor, de Vinícius de Moraes;
24. Doze Contos Peregrinos, de Gabriel García Márquez;
25. O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho;
26. Amanhecer, de Stephanie Meyer;
27. Werther, de Goethe;
28. Manual Prático de Levitação, de José Eduardo Agualusa;
29. O Cavalo e Seu Menino (As Crônicas de Nárnia), de C.S. Lewis;
30. Seleta de Verso, de Paulo Leminski;
31. Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade;
32. Estorvo, de Chico Buarque;
33. Solte Os Cachorros, de Adélia Prado;
34. O Que Não Pode Ser, de Renata Belmonte;
35. A Valsa Inacabada, de Catherine Clément;
36. Todos os Nomes, de José Saramago.

O casal literário mais fofo:

Está no livro Todos Os Nomes, de José Saramago. O Sr. José, personagem central, se depara com o nome de uma mulher que lhe é completamente desconhecida e decide procurá-la. A partir daí, muitos empecilhos surgirão, mas a busca, a esperança eterna é o que move o Sr. José. O casal não chega a se encontrar e ficar junto – por conta de uma surpresa no meio do caminho – mas a narrativa e a idéia genialíssima de Saramago compensa tudo o que não pôde ser.

Virei a noite lendo:

A Valsa Inacabada, de Catherine Clément. Virei a noite sem dormir com os delírios da vida de Sissi, imperatriz da Áustria, rainha da Hungria – que viveu no século XIX. O livro é extenso, demasiado cansativo de início, mas envolvente a partir do momento em que ela começa a trocar cartas com um homem que conhecera em um baile de máscaras quando jovem. A narrativa de Clément nos presenteia com um episódio real na vida da imperatriz que a persegue até o seu falecimento. Fatos históricos confundem-se com a ficção do livro. Entretanto, o maravilhoso foi ler ouvindo um certo tango de Piazzolla que funciona como uma trilha sonora perfeita.

Soco no Estômago:

Na Luta (Sem Pedir Licença), de Eliane Maciel. O livro retrata a vida da autora depois da fama de seu primeiro livro, o Com Licença, Eu Vou Á Luta! – o que se percebe no segundo é de uma humildade ímpar, pois o seu espírito adolescente continua firme e forte. Eliane nos ensina que ser jovem de espírito é exatamente o de ser livre e o de querer tudo o que se puder, até se impossível for. Creio que este livro é um exemplo de atitude e também de solidariedade para com o mundo. Anarquista dentro de si própria, soco no estômago revirado de muitos que não a quiseram ouvir.

Aquele em que chorei de soluçar:

Também A Valsa Inacabada, de Catherine Clément, sobretudo porque me coloquei no lugar de Sissi e praticamente me vi vivenciando tudo o que ela sofrera. A morte de seu filho (o arquiduque austríaco), por exemplo, é deveras emocionante. Até parece cômico: ela coloca uma almofada dentro do vestido, alegando que seu filho nascerá novamente. O contexto histórico é dramático, mas sem ser melodioso. Além de seu amor impossível que atravessara os anos naquele estado puro de platonismo, amor sem ter sido.

A Maior Decepção do Ano:

Werther, de Goethe. Não consegui me adaptar ao ritmo do solitário narrador-personagem pelo simples fato de que me soava falsa a sua narrativa. Dói-me muito opinar assim sobre um clássico. Lembro-me da ansiedade que tive em ler esse livro, mas a decepção foi total. Outro que me decepcionou bastante (porém eu já esperava, pois o comprei na Lojas Americanas, por menos de vinte reais e entre os livros de auto-ajuda) foi Cartas de Amor de Homens Notáveis, de Úrsula Doyle. A seleção não me pareceu agradável e a inspiração da mesma para criar o livro foi-me leviana.

O Mais Chato:

Luís XVI, de Bernard Vincent. Consegui terminar a biografia, mas a narrativa é quase insuportável. Li somente para encontrar mais vestígios de Maria Antonieta, sua esposa, última rainha de França. O livro não é tão grande em questão de páginas, mas a narrativa é pouco envolvente.

Quase morri de rir:

Estorvo e Leite Derramado, ambos do Chico Buarque. Com uma narrativa intensa, por ora sem pé nem cabeça, memórias de dois distintos cidadãos nos prendem a cada página. A verdadeira graça literária de Chico Buarque está na construção de seus personagens. Eis o mistério desvendado.

Aventura, fantasia ou infanto-juvenil:

Kafka e a Boneca Viajante, de Jordi Sierra i Fabra, que cheguei a comentar aqui. Um romance disfarçado de livro infantil. Um episódio real na vida do escritor Franz Kafka. Pouco antes de falecer, conhecera uma menina que chorava em um parque por haver perdido sua boneca. Kafka então lhe conta ser um carteiro de bonecas e, todos os dias, manda-lhe uma carta com notícias do brinquedo da menininha. Emocionante, faz rir e chorar ao mesmo tempo. Infantil, porém, reflexivo.

Bate-bola de personagens:

Personagem masculino apaixonante – O Dr. Mesmer, de O Estranho Caso de Mademoiselle P., de Brian O’Doherty. No livro, ele se dedica a cuidar de uma menina cega, protegida pela imperatriz Marie Thérèse, em pleno século XVIII. Sempre tive uma visão de quem e como seria esse médico austríaco e sou apaixonada por seus olhos azuis e cintilantes, com ar de novidade, que eu mesma moldara;
Personagem feminina admirável – A mulher que se parecia a palavra nunca, do livro A Palavra Nunca, de Eric Nepomuceno. Ela sempre me parecera alguém que ia embora depois de qualquer amor, parece alguém que vai deixar o outro por amar demais. Não obstante, temos muito em comum;
Personagem mais chato – A Sra. Shade, de Fogo Pálido, do Vladimir Nabokov. Tomo partido do narrador, na verdade. Ele a achava insuportável em sua atitude de esposa deveras protetora, e eu concordo;
Personagem mais perturbador Demian, personagem que dá nome ao livro de Hermann Hesse. Por todo o seu modo de pensar, absoluto e íntegro em muitos sentidos. Também o estrangeiro misterioso de O Demônio e a Srta. Prym, livro de Paulo Coelho, aprendi a gostar um pouco do autor;
Personagem que mais me identifiquei – Sem sombra de dúvida, Elisabeth da Áustria,a Sissi que tanto comento, de A Valsa Inacabada, da Catherine Clément. Sou a reencarnação dessa mulher, caso ainda não tenham percebido.

O melhor livro que li em 2010:

Fogo Pálido, do Vladimir Nabokov. Extremamente genial, o autor criou um poema de novecentos e noventa e nove versos para adicionar notas sobre a biografia fictícia de um poeta inexistente. Perfeito e recomendadíssimo.