Para Antonio Prata

Quarta-feira passada, dia 19, era uma tarde chuvosa, fatalmente rara. Fez todos os indivíduos se agasalharem antes de sairem de casa. Era um vestígio de inverno? Logo aqui? Houve tanto calor nas últimas semanas… Realmente era um sinal, mas não de que o inverno chegara, a tarde gélida e triste anunciava o fato de que alguém ia embora… Eu sentia.
Ao voltar da escola, também voltei a rotina de comprar pão antes das seis. Decidi ir antes na banca de revistas, já que era caminho, sabendo que uma certa revista Capricho me aguardava. Como de costume, me direcionei a última página, onde estava a tão conhecida coluna “Estive Pensando”, de Antonio Prata. Mas o título me chamou a atenção: “Despedida”, como assim? Acabou?
Sim, acabou. Ele não vai mais escrever crônicas para a revista. Foram sete anos dedicados aos adolescentes cheios de cravos, espinhas, dúvidas e rolos amorosos na cabeça. Foram seis anos para mim, que lia desde os 10 anos de idade, aquelas crônicas que me faziam refletir, rir e até chorar.
Quando fechei a revista, voltei ao passado. Era minha irmã quem comprava Capricho, num tempo em que ela tinha minha idade. De algum modo, a tradição foi passada para mim também, como um pacto da adolescência (qual garota desse Brasil nunca leu Capricho?).
As crônicas do escritor Antonio Prata (filho do grande escritor Mário Prata, para quem não sabe) me acompanharam desde o início da adolescência. Virou influência, me ensinou a filosofar um pouquinho e a ser cronista também (é o que eu venho fazer aqui toda semana).
Agora vai acabar? Porque? Simples: As pessoas crescem. Muitas dúvidas já foram esclarecidas e, ele já tem 30 anos.
Não pude esconder uma certa decepção. Ainda fiquei um pouco abalada ao chegar em casa, mas percebi que é uma nova fase. Todo mundo cresce, vira adulto. Algumas coisas precisam mudar, algumas despedidas devem ser feitas.
Eu nunca o conheci, ele nem sabe de minha existência, mas, de algum modo, ele fez parte da minha vida, mesmo de uma forma indireta. Com Antonio Prata, aprendi que a vida não é tão preto no branco como eu pensava, há sim meio-termos que precisam ser trabalhados.
Também me veio a paixão pela escrita. Não creio ser abençoada de tal talento, mas ele teve participação importante no meu crescimento. Hoje eu sou mais poética, é bom citar.
Ainda vai ser muito estranho abrir a revista, ir para a última página e encontrar…nada? Ou qualquer outra coisa que não seja Antonio Prata. Teimo em não me acostumar. Mas ao caríssimo escritor, desejo boa sorte em novos projetos e também na vida. E devo dizer: Obrigada, Antonio. Obrigada por ter feito parte da melhor fase de minha vida. Obrigada e boa sorte. Ficarei com saudades.

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2 respostas em “Para Antonio Prata

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