Para a Cajuína

“Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina”
:: Cajuína – Caetano Veloso

O Big Brother acabou, sim, de fato. Ainda há vestígios do dito cujo nas conversas alheias da vizinhança. “Ela perdeu, incrível não? Jurava que iria ganhar…”, pensei. A nordestina com ares de francesa. Sofisticada e simples. Como pode? Ora preguiçosa, egoísta e sonolenta. Guarda mágoas no coração como ninguém. É isolada, mas tem amigos leais quando os quer por perto. A cajuína cristalina em Teresina…
Boa ouvinte, tarefa difícil de ser executada. Eu, faladeira, tagarela, mimada e respondona não consigo. Mas não sei se é inveja, Talvez seja, afinal, ter uma música do Caetano Veloso como trilha sonora é para poucas.
“É a sociedade capitalista”, ousei pensar novamente com meus ares do eterno comunismo. Desde que a tecnologia é tecnologia, a televisão vem sendo o meio de comunicação mais manipulador existente. Muitos se renderam ao Big Brother, comigo não foi diferente, confesso. Mas o engraçado é que só nesse momento o povo brasileiro é justo. Em relação a Gyselle, fiquei com um pé atrás: Ela é boa gente? Ganhou um reality show erótico na França. Suas ironias fora de hora as vezes são irritantes. Mas pensei em mim: Sou respondona como ela. Somos quietas ao extremo, mas se alguém ousar fazer qualquer vaga pergunta em nossos momentos de profunda filosofia…Isso me lembra O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry: “Ela é apenas uma frágil rosa. E as rosas se julgam poderosas com os seus espinhos.”
Fechada como um túmulo. Onde estão seus sentimentos? Ela não os revela, oh, princesa de gelo! Quanta mágoa há em seu coração? Cuidado, uma hora será fatal. Um dia você vai descontar em quem não merece. Tudo porque, diante das câmeras, diante do público, qualquer passo em falso seria mais fatal ainda. Afinal, aquilo era um jogo. Ser a boa moça, mesmo que “sem querer querendo”, acabar ficando ameaçada pelo outro grupo, é uma estratégia perfeita. Mas esta requer sorte. Afinal, seu amigo Marcelo, bem que tentou fazer o mesmo. Se dizendo gay. Mas sua personalidade o deu o cargo de “inimigo do povo”, ou seja, não colou.
Cajuína, cajuína… Fico pensando: O que passa em sua cabeça? Será que pensa em seus medos e sonhos, será que pensa em sua existência e a que se destina?
Cajuína, cajuína… O que fará quando seus quinze minutos de fama passarem? Será, provavelmente, mal vista como celebridade inútil. Será convidada para festas chiques, repletas de vinho francês que tanto aprecia e… é isso? A isso você se destina?
Cajuína, cajuína… O futuro é incerto para todos nós. Vai que daqui a pouco, os cem mil que ganhastes (e a fama, se tiver ainda) subirem a cabeça e você se esquecer de sua simplicidade que conquistou o Brasil?
Percebeu? Você é a dúvida. A única certeza que temos é a dúvida. Você suscita em mim uma filosofia impensada ainda. Existimos: A que será que se destina? Temos uma vida inteira a pensar…

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