Já vem tarde!

Tudo em minha vida aconteceu tarde. Dentro de mim sempre houve uma certa inveja de tudo que as pessoas faziam e eu não poderia fazer. Ou por ser muito nova, por ser mulher ou qualquer outro motivo. Nos grupos de filosofia, alunos da faculdade que frequentavam a casa de minha irmã, eu sempre vivia solitária a observar o “clube do livro” que eles faziam a cada semana. “Porque ainda não li aquele?”, pensava.
Por exemplo: O Pequeno Príncipe estava mofando na estante da casa de minha avó desde que nasci. Depois de tanto ouvir falar no dito cujo, não resisti e li. Mas levei treze anos para perceber o encanto que Saint-Exupéry me proporcionava.
O mesmo fato ocorreu ao Código da Vinci, de Dan Brown. Primeiro eu ouvir falar do filme (que só fui assistir esse ano) mas preferi comprar o livro antes. Acabei amando. Mesmo não gostando muito de escritores americanos, acho que virei fã dos mistérios do Graal. O livro se tornou importante por um outro motivo: Está sendo usado nas faculdades de História (justo a que pretendo fazer).
Pedi Memórias Póstumas de Brás Cubas aos dez anos de idade, no meu aniversário. Mamãe achou muito estranho, porque, meses antes, eu havia pedido algo que nunca tivera: Uma boneca Barbie. Veio a boneca, mas não o livro. Perdeu a graça, pois eu já estava muito grandinha para brincar de casinha. Aliás: Meu aniversário é mês que vem, alguém me manda Machado de Assis de presente?
Meu primeiro beijo foi aos 14 anos. Eu era oitava série e tinha uma amiga chamada Esther (ela não sabe dessa história, mas tem um blog: www.transicionando.blogspot.com ). Há tempos eu estava de olho em W. que era da sala vizinha. Algumas intrigas aqui e ali, demos um jeito dele me conhecer. Embora aqueles olhos claros me agradassem, em seu comportamento nada me atraía. Ele era lindo, sim. Mas era um “galinha” que “pegava todas as mina”. Só que a sua beleza falou mais alto e como todos sabem, eu sempre me apaixono pelos caras errados. O beijo dele nem foi tão interessante. Tá, tinha gostinho de Halls de eucalipto, mas e daí? Tive que mentir para minhas amigas, que não sabiam que eu era B.V., tive que dizer que o beijo dele tinha sido ótimo, mas… foi péssimo.
O que eu esperava mesmo era uma cena bem Hollywood, ou mesmo ser brega e ouvir Simple Red ou Kenny G. (essas coisas horríveis que tocam na rádio e só a minha mãe ouve)
Também nunca namorei de verdade, a sério, aquela coisa de levar o namorado para conhecer a casa da tia que fica perto de um sítio…
Outras coisas me vieram tarde: Minha primeira menstruação, em janeiro do ano passado. Eu achei que ia ficar que nem a menina do filme Meu Primeiro Amor, mas eu já sou grandinha, né?
O diário de Nina Lugovskaia fui ler no fim do ano passado (um achado arqueológico. Ainda não leu? Não sabe o que está perdendo!), mas O Diário de Anne Frank nem sequer passou pelas minhas mãos. As músicas do Caetano (estou resgatando o tropicalismo de 68), a minha primeira vez… numa montanha russa! E, enfim, uma série de outras coisas que ainda preciso aprender a fazer.

Anúncios

Fale com ela:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s