Ao Seu Casseta, Marcelo Madureira

Aqui, quem lhe escreve, é uma menina de apenas quinze anos que, admito, não tem nenhum conhecimento nessa vida, pelo simples fato de ainda não ter vivido muito. Como deve saber, essa é uma fase turbulenta em minha vida, repleta de dúvidas e crises existenciais. Para ser mais clara: A experiência é pouca.
Não faz muito tempo, o senhor seu a seguinte declaração: “Acho os filmes de Glauber Rocha muito chatos. Uma verdadeira merda”. As consequências de sua breve opinião bateram à sua porta com vaias e estardalhaço.
Eu sempre costumei defender a liberdade de expressão, porque dessa forma fui criada. Aprendi desde muito pequena a respeitar diferentes conclusões de um ser humano, sem interferir nas diferenças. Pois é isso que faz o mundo girar.
Entretanto, para dizer que “Glauber é um merda”, é necessário ter muito estômago e falta de vergonha na cara. Analise os fatos, meu caro: Uma coisa é o senhor não gostar; outra bem diferente é maldizer um artista como Glauber (que nem está aqui para se defender) sem ter o profundo conhecimento de sua obra cinematográfica.
Não, eu não sou cineasta. Mas acho que qualquer um pode se colocar na posição de crítico, como o senhor fez.
Sabe o que realmente pode e deve ser considerado “merda”? A forma vulgar como o senhor trata o humor: Com toda essa “prolixidade marketeira”, essas piadas que mais me fazem ter pena pelo ibope que vocês querem obter qualquer custo. Isso sim é uma cagada humana, uma bela duma bosta, e acabou.
E veja os termos que utiliza! Ouve um bombardeio de críticas na sua cara, e o senhor fez pouco caso, fingiu que não se importava, sabendo que estava errado. Depois, quando a imprensa foi incomodar a madame, fez questão de esclarecer o que chamou de “mal entendido”, ah vá!
Glauber Rocha é o brilho sutil do Cinema Novo. O problema não está nele, e sim, em sua conclusão infeliz. Mas com pessoas como o senhor, é basicamente impossível discutir. Visto que é desprovido de talento ou de qualquer outra forma de conhecimento expressivo.
O que pode ser considerado “arte” ao senhor? A maneira mal-educada de tratar a cultura brasileira? Deverias sentir vergonha, abaixar a cabeça e pedir perdão por tanta bobagem que fala. Como disse Heloísa Helena ao Renan Calheiros: Lave sua boca com água sanitária para falar mal de Glauber.
Eu sou apenas uma estudante de 15 anos que ainda está no colegial. Mas já posso ser considerada mais madura que o senhor. Porque merda é o seu cérebro e tudo que sai de sua boca. E acabou, e ponto final.

“Para criticar Glauber, é necessário que se tenha dado
alguma contribuição à cultura brasileira.”

::Dejean Magno Pellegrin, crítico de cinema.

Anúncios

4 respostas em “Ao Seu Casseta, Marcelo Madureira

  1. Não importa a idade, a classe ou a cultura que se vive… Carregamos sempre coisas da vida. E aquele que acha que não temos nada da vida para aprender: corre o grande risco de cometer um equivoco: o de não ser.
    Não deixe de ser essa pessoa de valores fortes e definidos. Lutar pelos ideais é entender que somos “às vezes” superiores para certas hipocrisias. E aquele que julga, ou critica quaisquer objetos sem conhecer, é por que NÃO APRENDEU aquilo q você já sabe que “viver é aprender “sempre” novas formas de viver”.

    Infelizmente pessoas como esse senhor: autoritário e excludentes estão por todas as partes.
    PS você sempre muda seu blog, deveria seguir os caminhos da publicidade e tornar-te uma grande editora de revista. BJS.

  2. MAI QUANTA REVOLTA!!!!

    Tipo, não entendi direito porque não estava a par do assunto, mas…

    Bom, acho que não tenho muito a acrescentar…

    Beijos!!!

    Bruno, do Reformatorio

  3. digo e repito.
    vc escreve muito bem!

    mas quem é Glauber Rocha? kkkkkkkkkkkkk

    PS¹ não sou fã de cinema.
    PS² assisti 2 filmes brasileiros e olhe lá!

  4. Só hoje vi o que escreveu. Muito bem escrito ao meu ver.
    Meu pai sempre defendeu a liberdade de expressão e combateu as injustiças.
    Temos todo o direito de não gostar de alguma coisa mas não há necessidade em desmerecê-la e ser grosseiro.
    Há lugar para todos. Há lugar, sempre, para o respeito.
    Obrigada por tê-lo citado.
    Um abraço do Rio!
    Melinda Pellegrin.

Fale com ela:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s