O brilho de uma ex-debutante

Quando se tem quinze anos, achamos que estamos acima do bem e do mal. Sabemos que ainda á errado falar com estranhos e que o certo é usar camisinha. É a fase das dúvidas, das novas experiências e de fazer planos.
Uns querem fazer faculdade, outros querem ir tocar guitarra na MTV. Facilmente classificamos as pessoas em determinados grupos. Ou pertencemos a um, ou formamos o nosso. Todo mundo é dotado de estilo. Cada um, mesmo que sem querer, se encaixa em um estereótipo. É um mal que possivelmente vamos levar para o resto de nossas vidas. Mas é errando que se aprende.
Comentamos nossas festas de aniversário e sobre como os garotos estavam engraçados naquele terninho. Fazemos a trilha sonora de qualquer luau. Sabemos que Nando Reis e Legião Urbana não poderão faltar. Combinamos um cinema, ou a ida a um show na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (e deixem o Caetano para esta aqui). A turma sempre se reúne aos domingos para uma volta na praia ou para ver o jogo de futebol dos garotos.
Lemos Revista Capricho, achamos impossível viver sem o Antonio Prata. Achamos Machado de Assis um saco, mas somos obrigados a ler para fazer aquela avaliação de Língua Portuguesa.
Escrevemos diários, fazemos blogs. Sabemos que daqui há algum tempo vamos ler e rir de nossas crises existenciais. Mas por enquanto, nos rendemos aos fascínios da Internet. Temos a impressionante facilidade de ler um livro, assistir televisão, ouvir um disco e comer biscoito ao mesmo tempo. Brigamos com os nossos pais, ameaçamos fugir de casa, mas… tudo passa.
Nos encantamos pelos garotos do futebol. Logo surge o primeiro amor. Mas ele acaba (como todo amor de verão), você chora, acha que o mundo acabou, pensa até em suicídio. Mas logo surge o segundo amor, o terceiro… E você descobre como beijar é bom.
Passamos pela sala daquele professor de História muito charmoso do terceiro ano, se ele sorrir e acenar, é satisfação garantida recheada de suspiros. Nos apaixonamos por homens com o dobro da nossa idade, mas caso ele apareça semana que vem com a barba mal feita: pode esquecer.
Usamos saia curta enquanto o pirulito de morango passeia em nossa boca. Mas a verdadeira paixão é aquele guri que usa óculos, senta na frente e sabe aprender e ensinar Matemática como ninguém.
Achamos difícil dizer “eu te amo”. Não sabemos o significado da vida, ou se ele existe. Também não sabemos o que vamos ser quando crescermos. Nos declaramos ateus, temos medo de ir para o inferno e filosofamos sobre a vida após a morte.
Mudamos de idéia, defendemos nossas opiniões com unhas e dentes, choramos quando o nosso time perde e planejamos casamentos, vestido de noiva, quantos filhos queremos ter…
Aos poucos a visão do futuro acaba virando passado. Crescemos, deixamos de ter quinze anos e… outros desafios surgem. Pois é. Ontem foi 16 de maio e eu fiz dezesseis anos. Acho que estou saindo da melhor fase da minha vida para virar “aprendiz de adulta”. Dêem os parabéns a esta fracassada que vos escreve.

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