Ao Infinito e além (do Infinito)

Foto de Helano Stuckert

Aqui, quem lhe escreve, não pode revelar seu verdadeiro nome, pois pode ser perigoso para nós dois. E eu confesso que estou afim de protegê-lo. Apelo para o pseudônimo de “Senhorita Indefinido”. Antes eu me chamava “Esperança”, mas das últimas, foi ela quem morreu primeiro, dando lugar a uma terrível incógnita, cujo único ofício é entregar plena confiança, de corpo e alma, a uma folha de papel.
Escrevo para dizer que sei quem você era antes da terrível fúria dos homens. Você era um romance do entardecer, o pote de ouro no fim do arco-íris, aquela busca interminável pela juventude… Você se chamava “Felicidade”.
E confesso, com um certo aperto em meu coração, que procurei por ti a vida inteira. Todos falavam em “sermos felizes” durante a minha infância. Quando cresci e aprendi a ser madura, tive uma visão mais ampla de vida. Agora mesmo creio que és inexistente.
Procurei nos mais antigos livros de Filosofia, situados nas prateleiras mais altas e empoeiradas das bibliotecas que frequento. Mas nenhum especialista foi capaz de responder onde você se encontrava.
Perguntei várias vezes às pessoas que conheço: Foi uma decepção. Alguns não sabiam o que responder, muitos me mandavam procurar no dicionário e outros tantos me davam conceitos tolos, vagos e sem fundamentos.
Dia desses resolvi fazer o que me mandavam: Fui consultar o Aurélio. Mas lá também encontrei uma definição infeliz, resumida em três linhas apenas. Conclui que os dicionários também não tinham idéia de onde se encontra felicidade.
Há pouco tempo fui me aventurar no “Amor”. Disseram que ele era o caminho para chegar até você. Pediram que eu cuidasse dele, pois é muito frágil e incompreensível. Porém, entrou por um ouvido e saiu pelo outro (já dizia a minha avó). Rapidamente o desprezei e joguei fora, como faz uma criança mimada com um brinquedo velho. Me julguei então não merecedora deste sentimento. Que depois vim a crer seu sinônimo, que era justo o teu nome…
Eu não tenho esperança, como disse anteriormente. Mas todos ao meu redor dizem que ainda sou jovem e que não devo desistir. E, apesar de não confiar em respostas alheias, decidi lhe escrever esta carta. E confesso que foi muito difícil encontrar seu endereço. Uma fonte secreta em meu “Inconsciente” comunicou que havia mudado de nome e moradia, em busca de uma nova vida. Agora estás na “Avenida dos Sonhos Despedaçados” (Boulevard… Broken Dreams…). Quero saber se pode me enviar uma resposta qualquer, se um dia desses posso lhe fazer uma visita… Caso isto não seja possível, ai sim terei certeza e compreenderei que não sou merecedora de tal agrado.
Se isso acontecer, “Tristeza” me acompanhará por um longo período. Mas saiba que menti numa coisa: Ainda me resta sim um pouco de esperança de um dia poder te ver de perto.

“…até desaparecer em direção ao infinito.”

::Fernando Sabino

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