Feminista

“-Como você mesma sempre diz, não é? ‘Invariavelmente nós, semi-mulheres, oscilando que nem balancinhas desequilibradas entre o sonho e a realidade. Entre o romantismo primário, filho dos conceitos truncados de pureza, e os apelos quase tragicômicos do púbis!’
Gargalho.
-Você lembra disso ainda?
-Nunca esqueço.
(…)
-Mas agora já chega! Eu sofro, mas faço o que quero. Na hora que eu quero, não na que escolheram pra mim!
-Certo. E traduzindo os ‘não faça isso, não faça aquilo!’, no final temos o produto Igreja-Escola e Família.
-E o grupo social, e perspectivas para o futuro, e sonhos de casa branca e cinco filhos, e…
(…)
Ficamos em silêncio um pouco. Depois eu rio de novo e dou um tapinha na sua barriga.
-Isso é conversa de intelectual pequeno-burguês, colega. A nossa realidade é outra. É arranjar mais motivos para se justificar a cada dia. E te digo mais, hein: Se eu soubesse dele topar e ser uma boa pra mim, eu matava aula um dia e dava pro primeiro que encontrasse na rua – desde que eu nunca mais o visse, é claro…!
(…)
-Pois é, garota. Por isso é que eu sou rebelde, ponho a boca no mundo mesmo, porque ganhar doce dessas freiras não adianta nada!”

::Do livro Com licença, eu vou à luta de Eliane Maciel.

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