Medo de amar

“O medo é meu senhor, preceptor e alfaiate, porque é de seu corte o manto de trevas que me serve agora de abrigo. O medo foi meu guia de ir a lugar nenhum. O medo não me permitiu sorrir, caminhar, correr, amar… ah… como eu gostaria de ter amado!”

::Do livro O Barbeiro de Valladolid, de Guto Franco.

“Você tem medo de quê?”

Eis a pergunta do teste de auto-conhecimento que a professora de filosofia nos receptou. Eu poderia responder o óbvio: Tenho medo de elevador. Aos dez anos de idade, fiquei presa em um por cinco horas. O que me rendeu um medo maior: A claustrofobia. Detesto lugares pequenos, abafados e fechados.
Mas seria simples demais. Coisa resumida em cinco linhas apenas. E, como eu não me contento com uma folha de papel vazia e estou com meu temperamento emocional muito fragilizado, resolvi pôr tudo para fora, de uma vez só (mal sabia eu que, definir o medo, seria pior do que encontrar o caminho da felicidade…).
Eu tenho medo de amar. Tenho medo de pedir um rapaz em namoro ou de aceitar um convite desses. Um convite para fazer parte da vida de alguém. Tenho medo de abraçar e caminhar de mãos dadas. Ou de que o meu beijo não seja lá essas coisas. Tenho medo de apoiar minha cabeça no ombro dele e olhar as estrelas lá do céu. Tenho medo de receber flores, caixas de bombons, colecionar cartas… Essas coisas que intensificam uma paixão. Tenho medo de demorar a dizer “eu te amo”, ou de me declarar sem estar preparada. Tenho medo dele não ser a pessoa certa. Tenho medo de apresentá-lo com a palavra “meu”, seguida de “namorado”. Tenho medo de jantares em família, aliança no dedo e planos de um futuro casamento. E, para isso, utilizo aquela velha conversa de feminista, a dizer que não preciso de papel assinado para comprovar que amo alguém. Mas a verdade é que eu gostaria muito de viver todo esse romance que aparenta felicidade eterna.
Amar é o meu maior medo, mesmo porque, sou muito introvertida. Decido correr o risco, mas travo. Amor pra mim só é tema de resposta para perguntas como essa? “Você tem medo de quê?”
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2 respostas em “Medo de amar

  1. Interessante… Esses medos são os mesmos que eu tinha, e também os mesmo da minha namorada.
    Estranho, por que agora perdemos esses medos. Eu acho que a gente acaba trombando com alguém parecido hora ou outra, até com os mesmos medos, e aí um preenche o outro.
    E eu acho que não é conforto temporário. Quando a gente perde esse medo, acho que aprendemos que vale a pena.
    Mas sabe que é o foda? Esse medo todo é orgulho, vem do orgulho ou acaba virando orgulho. E se prender à isso realmente não vale a pena…
    Até mais!

  2. DE UMA HORA PARA OUTRA NÃO CONSIGO ENTRAR NUM CARRO NO BANCO DE TRAS UE FICO AGUNIADA E ENCALORADA

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