Quase (um ensaio sobre a) cegueira

“Houve um tempo em que, se tivesse de optar entre duas cegueiras, escolheria ser cego ao esplendor do mar, às montanhas, ao pôr-do-sol do Rio de Janeiro, para ter olhos de lê o que há de belo, em letras negras sobre fundo branco. (…) Mas agora, ainda que encontrasse os óculos de leitura, eu não me animaria a abrir meu próprio livro, de cujo conteúdo mal me lembrava. (…) Se antes dos trinta eu já tinha a vista cansada, não surpreenderia que chegasse aos quarenta com a mente saturada da palavra escrita. Era possível que para elas me restasse apenas um bom ouvido, e atrás das palavras mais sonoras entrei pela noite recorrendo aos canais de televisão. Encontraria quem sabe um programa de assuntos literários, com sorte uma mesa-redonda onde falassem do meu livro, alguma atriz bonita a declamar meus fraseados. (…) Acho que eu já cochilava, penei para abrir os olhos. E quando abri os olhos, tinha ficado cego.”
::Do livro Budapeste, de Chico Buarque.

Eu queria um layout com a cara do verão. Consegui. A música então é perfeita. A Cor Amarela, novíssima de Caetano Veloso.

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