Doce novembro

Custei muito a acreditar que o tempo curaria tudo, apesar dos conselhos que recebi inúmeras vezes. Repetia essa frase à mim mesma desde novembro do ano passado: “O tempo cura tudo, o tempo cura tudo…” e agora, um ano depois, o tempo realmente curou as mágoas e já não há resquícios de sentimento.
Distância ajudou muito. Olhos demasiadamente abertos também. Passei a notar que era inútil buscar respostas para os “porques” que tanto me perseguiam e me atormentavam.
Eu não quis mais chorar todas as noites e não mais chorei. Eu não quis mais lembrar e acabei mesmo esquecendo. O que foi aquele abraço? Eu já não sinto. Afagos em meu cabelo, eu já não tenho. Já me conformei com o fato de que será incompleto e sem diálogo este final de história de amor. Eu não vou mais correr atrás para tentar reparar erros. Nem vou insistir numa conversa de resoluções para que tudo acabe em briga e a velha sensação de que eu sai mais prejudicada e culpada. No fim de tudo, sempre serei considerada vilã da história enquanto ele vai continuar com seus sorrisos falsos e a rotina fútil de sempre. Agora vejo que certas pessoas precisam mesmo levar muita porrada na vida para deixarem de ser infantis e aprenderem a valorizar os que estão ao seu redor. Eu cresci mimada e mudei com o tempo. Ele quer seu mundo cor-de-rosa como está – eu gosto de outras cores.
Eu nunca pedi para amar alguém. E amor realmente não é algo que se deve pedir: Vem de repente e, ou você foge, ou fica com ele mesmo que se arrependa depois. No meu caso, preferi a primeira opção. Mas ainda acho que o arrependimento posterior teria sido melhor, ao menos eu teria vivido. E agora me arrependo de não ter me arrependido (?).
Daquele bobo romance, sobraram apenas as memórias de páginas de diário. Na minha cabeça, imagens em branco e preto confundem-se com quem eu sou agora.
Um ano depois e minhas atitudes estão mudadas. Estou melhor: Mais compreensiva, mais sorridente, alegre e feliz. Voltei aos velhos hábitos: Tomo banho de chuva quando quero, ir ao cinema toda sexta, volto a fazer teatro e até me inscrevi ( junto com um amigo ) em aulas de tango para estas férias. Escrevo cartas, diários e crônicas, leio o jornal toda manhã, livros de outras épocas, estou mais empenhada em casa… Enfim, esqueci. Me conformei com o que acabou, ou com o que ficou em aberto. Como o destino de um personagem de filme, algo assim.
Novembro se foi. Quero um novo alguém, quero outra pessoa. Quero, mas sem pressa, sem ansiedade. Quero um acaso, um olhar novo, elogios sinceros e cismas também. Quero um sorriso aberto, um conselheiro e amigo – quero antes de tudo um amigo! – alguém que vai me fazer chorar, vai me repreender e pedir desculpas. Quero alguém que ouça explicações, que encare minhas futilidades com entusiasmo e que procure ler meus pensamentos, não é tão difícil. Quero um novembro doce. Não mais um com tempestades e ameaças de suicídio.

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14 respostas em “Doce novembro

  1. Fiquei tão feliz em ler esse seu post. Sério mesmo.
    Porque a gente quando acaba um relacionamento fica com aquela sensação de fim de mundo… E a melhor coisa é perceber que a vida é mais que aquela nossa dor toda e que somos capazes de renovar, mesmo no meio de tanta dor.
    Bjitos!

  2. “A separação também pode ser parte de uma grande história de amor”
    do filme: O passado, com Gael Garcia Bernal

    Que bom que você gosta de outras cores, que fez do passado um aprendizado e não desistiu do amor. Um dia irá olhar para trás e dizer que foi bom ter acontecido todas essas coisas, pois te levou até um outro alguém que nem sonhava que pudesse existir.

    Meu novembro foi doce, mas eu quero mais.
    Aulas de tango? que inveja rs
    Imagine eu, um argentino que não sabe tango!

    beijos pra ti
    (you are my dearest blogfriend)

  3. Oiii! :)
    Realmente, meu novembro não foi doce, mas não foi prenúncio de despedidas.
    Aulaa de tango, um dia eu ainda faço! ;)

    ps: Tive o atrevimento de copiar uma frase tua do post “Me despedi”, claro que com créditos ^^

    beijos e um ótimo final de semana!

  4. Como vc disse sobre ‘procurar as respostas de alguns porquês’, acho que isso é o q mais cura. Quando a gente tenta compreender o porque de certas coisas acontecerem, acabamos enxergando melhor o caminho certo a seguir e então podemos fazer uma escolha.
    Beijo

  5. O tempo ameniza. Mas só nossas próprias atitudes podem resolver alguma coisa.

    Beijo!

  6. Opa. Pra você não se perder: comentário de cima feito pela dona do cólica mental. Nathália. Rs

  7. Gostei muito, muito do texto, inclusive vou enviá-lo a uma amiga que está passando por um momento parecedíssimo e tenho certeza que fará bem a ela. (:
    Pelo visto você saiu muito melhor dessa história, e de tudo que viveu pelo menos aprendeu que o tempo realmente é o melhor remédio e que essa frase é muito mais do que aquilo que as velhas comentam nas novelas da tarde.
    Beijos

  8. É, também pensei isso. Nesse caso o tempo foi um aliado a mim. Não sobrou mágoa nenhuma. Nenhuma coisa de ruim guardo dela. Mesmo muito mal ela ter feito a mim. Já não lembro das coisas ruim, sacrificando-a. Lembro como aprendizado do que pude aprender. Porque essencialmente nos erros encontramos mais lições, seja se ferimos ou somos o ferido.

    Mais de um ano tinha se passado e o calor dela ainda aquecia meu coração. O tempo passa e não esqueço dela. Porquê? Também passei um ano buscando “porquês”. Mesmo o tempo passando. Desisti de procurar respostas. Acabei aceitando o que o meu coração ainda sentia: amor. Por alguém que já estava longe, andando por outros caminhos. Alguém que tinha me ferido, e que eu tinha perdoado. Alguém que com seus erros, defeitos, mas principalmente pela linda alma, me cativou e se eternizou dentro de mim. Não há vilão. Nem culpado. Não existem acidentes, nem acasos. Aprendi que as coisas acontecem com um propósito. Sabemos tão pouco do destino. As experiências, boas ou ruins nos trazem verdadeiras lições de vida. Acarreta que nós aprendemos, em cima do que vivemos, a melhorar como ser humano.

    Precisamos levar porrada muitas vezes, para podermos aprender a passar a pomada nas feridas. Ela levou porradas, eu levei porradas. Aprendi muita coisa. Mas nem sei como te explicar aqui. Me faltam palavras. Mas sei que percebi que sou um ser humano pequeno. Talvez ela tenha percebido mais. Identifiquei certos erros e mim. Estou aprendendo a confiar mais, a ser mais tolerante, a equilibrar mais as emoções. Aprendi a tornar a tempestade dentro de mim num mar calmo e benevolente. Acho que vivi isso pra poder melhorar. Por isso digo que, mesmo sendo ruim, a ferida me proporcionou uma cura que foi além daquela dor apenas, mas de outras que corrompiam minha alma.

    Novembro se foi. Não sei se quero alguém novo. Quero ela. Porque só pode ser ELA, a pessoa que tanto esperava. Mas não vivo com uma ilusão. Posso nunca a ter mais do meu lado, talvez até viva com outra pessoa, mas amar mesmo, só ela. Aprendi a gora a confiar em Deus. Ele agora é que aponta meus caminhos. O que tiver que ser será. Custa-me apenas esperar, ter paciência e aceitar, o destino que vier pra mim.

    Mas se procuras um amigo verdadeiro, tu acabas de encontrar. E é também o que procuro e creio ter encontrado.
    :)

    PS: desculpe me alongar Nina. Mas essa sua crônica (?!) me despertou uma coisa aqui dentro. O que falei é verídico. É o que vivi. Não esmiucei tanto, mas pude me abrir. Também não sei porque o fiz, mas fiz, deixei fluir. Talvez porque você me proporcione segurança e confiança.

    Grande beijo.

  9. Suas reflexões me levaram a um amor perdido nos meus 14 anos, Nina! Mas, eu fui o culpado. Eu e minha juventude!
    Bjoooooooooooooo!!!!!!!!!!!!

  10. Aqui é a amiga da Anna (a que comentou ali em cima).
    Esse texto foi ótimo pra mim. Veio de encontro com tudo que estou passando agora, e é muito bom saber que depois de algum tempo isso acaba. Pensei (igual a anna disse) que isso de o tempo curar as coisas era frases de novelas, mas pude ver no seu texto que não é nada disso.
    Seu texto foi umas das coisas que me fez continuar, e perseverar na idéia de que tudo o que eu sinto vai acabar.
    É realmente um alívio ver que não é só eu que passei por esses problemas amorosos com garotos infantis.
    Espero que daqui um ano tudo isso tenha acabado, E SE DEUS QUISER VAI ACABAR.

  11. Uma história de amoor? É,parece coisa de filme e vocês podem estranhar,mas achei tudo tão romântico .Todo o sofrimento,a mágoa,as tristes revelações desse post fazem-nos acreditar em AMOR,naquele amor que tanto queremos,com aqueles conflitos que depois se resolvem com uma bela reconciliação. <3
    Acreditei em uma vida assim,como se vivessemos em um filme em que tudo sempre acaba bem ou não,com a mais pura ou cruel verdade.

    VISITEM MEU BLOG E DEIXEM COMENTÁRIOS ;)

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