A mulher do meu amigo

A mulher do meu amigo foi embora da casa dele, depois de oito anos vivendo lá. É estranho ver agora a mulher do meu amigo ir embora. Ela vai porque o amor já acabou e nada mais lhe prende àquele lugar. Assim como nada a impede de sair. Ela vai, ele chora, ambos choram, lágrimas secam, feridas cicatrizam, às vezes bate uma certa saudade, mas os dois sobrevivem.
Daqui à alguns anos o meu amigo escreverá um livro e ela irá ao lançamento para participar de uma sessão de autógrafos. Dirá um “oi” sem graça e responderá que está bem. Então sorri comovida, enquanto ele permanece surpreso e calado. A ex-mulher do meu amigo pede um autógrafo e diz que adoraria ficar, mas precisa ir. Ela sai pela porta da frente da livraria e o meu amigo se levanta, pois quer ver se o seu caminhar continua o mesmo. Ele confirma que sim e então suspira aliviado. Só os cabelos dela mudaram, parecem longos e mais claros. Como os pêlos de uma tigresa que tremem ao vento ateu.

“Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
(…)
Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor.”
::Tigresa – Caetano Veloso

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13 respostas em “A mulher do meu amigo

  1. Adorei o texto, eu gosto muito das coisas que você escreve.
    É realmente um alívio quando a gente encontra pessoas que gosta e vê que elas realmente não mudaram coisas que fazem parte da sua essencia.

    “Será que amar, é mesmo tudo?”
    “Lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim, outro amor se acabou.”

  2. Me lembrou uma cena do filme “Antes do por-do-sol”, como o Ethan Hawke e a Julie Delpy. Isso corta o coração. É a vida.

    beijos a ti.

  3. amores nascem pra não serem eternos, e msmo assim mentindo nos diz todos os dias que tudo será para sempre.

  4. amores nascem para não serem eternos, e mesmo assim mente todos os dias pra nós dizendo que tudo é pra sempre.

  5. amores nascem para não serem eternos, e mesmo assim mente todos os dias pra nós dizendo que tudo é pra sempre.

  6. A NATUREZA HUMANA E AS RELAÇÕES HUMANAS: SERÁ UM PARADOXO?

    A partir das falas de vários homens, sinto um grande desencontro ocorrendo, onde os homens estão sem referências de comportamento, após o início da derrocada do machismo e homem provedor.

    Já as mulheres, após a conquista do espaço social e do trabalho, parecem ter caminhado para um extremo, onde o exercício daquilo que supostamente os homens faziam e que aparentemente se considerava como liberdade, hoje parece tê-las deixado amargas e perplexas, pois descobriram que os homens, forjados no calor do machismo, não são possuidores de valores e densidades interiores.

    A liberdade contemporânea parece ter deixado ambos os sexos meio sem entender o quê está, de fato, ocorrendo.

    A busca do prazer pelo prazer inibe a percepção daquilo que parece ser a verdadeira busca dos homens e das mulheres.

    Ambos parecem buscar a verdadeira visão do outro, a essência do outro, sem amarras e sem as algemas que surgem nas relações de longo prazo.

    Hoje, parece que todos estão desejosos de “conhecer” mais e mais pessoas, mas não querem conhecer verdadeiramente o outro.

    A contemporaneidade parece ser incompatível com relações de longo prazo, onde a individualidade e a subjetividade não são favorecidas, causando grandes frustrações e decepções para muitas pessoas.

    Ao mesmo, também parece ser equivocada a noção de que conhecer muita gente, ficar e estar com muita gente é algo prazeiroso e satisfatório. Pode ser até no início, onde a novidade é sempre sedutora e desafiadora. Mas com o passar do tempo, a mesmice e a rotina ocupam espaço, gerando também mal-estar.

    Uma sugestão é um olhar mais isento, sem expectativas em relação ao outro. Perceber o outro como um ser que também está em construção e que, portanto, não possui respostas prontas e acabadas.

    Uma possibilidade é o exercício saudável da liberdade no qual o conhecer pessoas assume uma dimensão mais humana e menos coisificante, onde a relação é palco do encontro de seres com histórias, percepções, sentimentos e subjetividades, cujo intercâmbio efetivo só pode trazer positividades para ambos, sem o fantasma do compromisso e do “felizes para sempre”!

    Somente nos últimos tempos a idéia da separação tornou-se mais aceitável e saudável, em termos de que uma relação de 10, 15 ou 20 anos deu certo. Nada é estável, tudo está em movimento e em transformação. E constatar que uma relação perdurou durante tantos anos, notadamente nestes tempos dinâmicos, é algo venerável e digno de registro altamente saudável.

    “Eterno enquanto dure” é um princípio mais natural do que se imagina e deve ser vivenciado em paz, com equilíbrio, responsabilidade e humanidade. É lógico que quem se casa, pelo menos naquele momento, não avalia a hipótese de uma separação futura. Da mesma forma que quem se separa não deveria se culpar ou se sentir humilhado por “não ter dado certo”. É claro que deu, só que agora é hora de finalizar.

    Olhar a própria essência, reconhecendo entre as ações empreendidas erros e acertos, é ação altamente altruísta, pois renasce a verdadeira humildade humana. E valorizar o mundo interior é caminhar na trajetória mais firme e consistente da natureza humana, no estabelecimento de relações humanas mais densas e em consonância com motilidade humana.

    Ao mesmo tempo, percebo que é fundamental coragem de ser si mesmo e empreender as mudanças que efetivamente reflitam seu mundo interior. E se for o caminho, que se inicie ou se finalize relações que se esgotaram na lapidação da convivência.

    E nada melhor do que finalizar em paz e com muita compreensão sobre a natureza humana e sobre o outro.

    Somos mutantes. Mudamos a toda a hora e sempre. E perceber este fato é constatar o quanto somos humanos. É se aproximar de si mesmo e do outro.

    E isto não é o fim do mundo.

    Espero que não.

  7. Pareceu que seu amigo tinha algo mais a dizer àquela mulher… Fiquei me perguntando por quê não disse.
    Bjitos!

  8. E eu que terminei por descobrir que é muito pior, pros dois, quando a ‘tigresa’ pode mais do que o ‘leão’ ^^

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