Caetanear (para o que há de bom)

Meus primeiros contatos com a música popular brasileira são como as histórias que a Adriana Calcanhotto conta de sua infância e adolescência. Quando criança, ela ouvia o rádio que a bábá deixava ligada o dia inteiro enquanto seus pais estavam fora. E mais tarde, ela própria ligava o rádio quando ia lavar pratos.
Eu tinha sete anos quando começei a ouvir Caetano Veloso. O meu pai era administrador de uma loja conhecida no Pelourinho e eu o ajudava nos fins-de-semana. A loja fechava às sete e saíamos às nove da noite. Mas desde as oito já era possível ouvir o som que vinha de um restaurante ali perto. Onde a cada dia um cantor ou banda diferente se apresentava.
Eu nunca soube o nome do cantor que comparecia todas as sextas, mas o seu repertório eu conhecia de cor. “Sozinho” de Peninha era o hit da época – já que estava presente no CD “Prenda Minha” de Caetano. E por todo canto do Pelourinho era possível ouvir essa canção em vozes desconhecidas.
Havia muita poesia em todas as músicas e o espaço era dedicado apenas aos baianos como Gil, Caymmi, João Gilberto… Com o tempo fui aprendendo letra por letra. E, enquanto eu organizava as vitrines e o balcão para o dia seguinte, cantava junto a maioria das canções até a minha hora de voltar para casa.
Não demorou muito para que eu prestasse a devida atenção nos sons de minha cidade – que não vive somente dos tambores do Olodum ou do som do berimbau. Mas é cheia de Bethânia, Gal e até a própria Calcanhotto. Passar por aquelas lojas de discos e instrumentos musicais da Praça da Sé é sempre uma descoberta de sonoridades.
Alguns anos depois eu havia entrado em uma escola de música. E a cada temporada os alunos podiam escolher um cantor e/ou compositor para interpretar suas canções. Um deles foi justamente o Caetano. E durante cerca de três meses pesquisei a vida inteira dele: Procurei textos, discos, livros, vídeos, curiosidades. E o meu deslumbre com os “vários Caetanos” que encontrei em um só foi ímenso. Eu nunca conheci um artista que tivesse tanta capacidade e inquietude de se reinventar, como uma metamorfose ambulante. Criar o movimento tropicalista, definir toda uma geração. Passar por samba, bossa-nova, rock’n’roll e inventar fina estampa. Ele não ficou apenas no “banquinho e violão”.
Ele atinga platéias de todas as tribos e idades, por letras e ritmos de filosofia plena. Ele canta apenas o que não pode mais se calar. E segue apenas porque gosta de cantar.

“Por ser feliz, por sofrer
Por esperar, eu canto
Pra ser feliz, pra sofrer
Para esperar eu canto!”
::Minha voz, minha vida – Caetano Veloso

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11 respostas em “Caetanear (para o que há de bom)

  1. Nina meu bem, a minha passagem por aqui vai ser rápida.
    Na verdade é apenas pra te dizer que virei com mais calma atualizar a leitura (que pelo visto tomará tempo, em face da quantidade de textos).
    Já dei uma passada por cima de alguns e meus dedos ficaram coçando pra comentar. Seus textos me instigam. De amanha pra sábado estarei comentando todos os que ainda não li. É sempre um prazer ler o que tu diz.

    Voltei dia 31 de Brasília e voltei com força total rsrs.
    Sábado agora, 07, estarei publicando texto novinho no “Elos”, pra começar o ciclo de pensamentos de 2009. Mas vou te avisar que minha presença por lá vai ser bem regrada, com um intervalo grande de dias: 2 semanas ou talvez mais. Durante os próximos seis meses me verei envolvido no meu último semestre, e no TCC da faculdade. Então vou ter uns meses apertado. E minha prioridade por enquanto é a faculdade. Mas estou presente de novo. E sei que posso contar contigo pro que der e vier.

    Até logo mais meu anjo.
    Te gosto muito, mas muito mesmo.
    ;)

    Beijos

  2. Legal teu fascínio por Caetano! Meu contato com a MPB começou… foi algo assim: desde sempre!

    O ICEIA fica no Barbalho, não eh? Bom, não conheço, mas já ouvi falar. Percebi que eras de Salvador qdo falastes da Baia de Todos os Santos. Eu não sou de Salvador, sou do interior, moro em uma cidade conhecida, distante da capital 150 km.

    Fina Estampa é um cd que eu tenho. Aliás, tenho 3 cd’s de Caetano. Mas ainda não aprendi a gostar dele. Realmente ele é um artista de inúmeras faces, e isso tb o faz um bom artista. Dele curto algumas músicas, mas prefiro Bethânia :D

    Seu blog é muito gracinha, adorei aqui.
    Hasta!

  3. É, as vezes a gente é obrigado a assistir e ouvir certas coisas mesmo. O jeito é passar uma peneira e ver o que realmente merece ficar!
    Beijo

  4. Eu ouvia muita coisa quando era criança. Cresci ouvindo de tudo, e acredite, sou o primeiro da família com aspirações literárias e musicais. E diferente de você e da Adriana Calcanhotto, não tive babá! rs rs
    A propósito, li essa história da Adriana na revista de domingo do Jornal O Globo. Uma entrevista muito bacana com ela.

    Quanto ao Caetano, gosto da musicalidade dele. Tenho feito descobertas ótimas. Fora isso, o Caetano pessoa/personalidade/intelectual, não está entre as minhas preferências.

    beijos grandes

  5. ,nhaa nem curto muito esse tipo de musicaas, maas admiro muiito as letras :)

    bejoos

  6. Eu sempre tive uma implicância gratuita com o Caetano, não me pergunte por quê. Na verdade, eu sempre gostei das músicas dele, inclusive tenho o cd Prenda Minha e adoro. Mas não sei, ainda fico com o Chico e a Gal.
    Quem sabe um dia…
    Beijos!

  7. ainnnnnnn

    eu comecei a amar Caetano de uns tempos pra cá.
    amo Caetano, a Tropicáliada toda, Gil….. etc

    adorooo

    =)

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