Para Adrielly Soares

Minha amiga,
É um fardo que a menoria das escritoras amadoras tem que carregar: Amam e não são amadas. Se são amadas, sempre haverá algo para impedir esse amor. Chama-se Romance o estilo literário que desencadeia as dificuldades de tudo aquilo que vivemos, mas que enfeitamos para a ficção, de modo que tenhamos o final clichê que deveria ser de nosso merecimento. Já não é uma concreta novidade que é dessa menoria que faço parte. E eu não quis assim. Fui levada com o vento, força maior, necessidade. Como escrevi, outrora.
Você escreve sobre brisas, feridas e outros carnavais. Eu vivo tanto tudo o que você escreve! Eu sou uma personagem sua. Eu sei, eu sei – não sou uma personagem muito inspiradora, o meu final está em aberto, como uma dama de filme francês, mas você sabe pincelar bem este esboço – não me deixe na gaveta.
Esta é a carta de uma escritora para outra. Jovens ainda, ambas amadoras. Você não vive sem mentir – eu não vivo sem a verdade. Não consigo ter esse dom que a senhorita possui. Sou cronista e por demais egoísta. Penso apenas em mim mesma. Escrevo sobre mim. Como dizia Montaigne, “eu sou a matéria da minha obra”.
Também me incomodo com o que as pessoas pensam. Tudo bem, confesso que devo ter uma parte mentirosa nesse aspecto. Aos desconhecidos, pinto o quadro que quero. Mas para quem eu deveria mentir de verdade (estou ciente desse paradoxo), sou mais nua que o mais óbvio mistério da humanidade.
(À propósito, adoro tua promessa de escrever textos longos).
Tive necessidade (… de viver, de amar, de ouvir, de dizer, de dormir, de comer, de escrever, de me expor, de ler, de assistir, de possuir…) de publicar uma carta assim, sem início ou fim para expressar que você já é, desde sempre, minha leitora mais assídua e uma de minhas escritoras favoritas. Poderia te dizer isso qualquer dia, qualquer hora, mas uma carta cronicada torna tudo mais belo e oficial, facilita a homenagem. E também existe uma chance de que você encontre, um dia, esta carta em um livro meu, quem sabe?!
Melhor: Estará lá o seu nome, assim que você abrir a página, numa dedicatória bem bonita, ao lado de outros nomes – promessas da futura geração de escritores. Teremos vencido. Vencido essa lama que é a adolescência e dificuldades que consideraremos banais lá na frente. Teremos os sonhos realizados – como este sonho, de sonhar que tudo se realize. E outros projetos futuros, novidades para contar.
É assim mesmo, moça de cachinhos no cabelo e olhos espertos. Tentamos como podemos. Desejamos o que queremos e amamos a vida do modo que convém.
Abraços.

Adrielly Soares

Adrielly Soares

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11 respostas em “Para Adrielly Soares

  1. A mocinha citada tem olhos mui belos. Terei de ir lá para ver suas obras. Parabéns pela singela homenagem. Como já disse, devem ser feitas aos vivos para que tenhamos certeza de que irão receber.

    um grande beijo pra ti Nina

  2. Bela homenagem, eu ficaria muito lisonjeada. Não tem como sair daqui e não ir ler o blog da tua amiga ;)
    beijos

  3. Meu Deus, eu nunca li um texto escrito para mim. *.*
    Eu não vou conseguir comentar sem que alguém ache que eu to me achando [até eu mesmo acho]. Ainda mais “uma de minhas escritoras favoritas” escreve pra mim, e pra você não é novidade que eu gosto das coisas que você escreve, várias vezes te disse isso. Acho estonteante como você escreve de si mesma transformando tudo e poesia, tão bonita que a gente nem desconfia é mais uma vida de mais uma reles mortal.
    Eu estou muito agradecida de verdade.
    Obrigadooo Linda.
    Um beijo.

    [ e que eu e você consigamos lançar nossos livros, e que tenha sim essa crônica linda que terei orgulho de apontar nas páginas do seu livro e dizer ‘foi pra mim’]

  4. Uma homenagem assim é de fazer os olhos de quem nem conhecem a homenageada brilharem de emoção. E é impossível mesmo não ir ao blog da sua amiga para conferir suas criações.
    Que todas as escritoras e escritores amadores de hoje possam ter livros belíssimos publicados!

    Kissus =**

  5. aaaiiinn que lindo *-*
    adoro homenagens fofis pra amigas. principalmente como essa, que, dá pra ver, é de coração (:
    :*

  6. Oi Nina! Vim aqui dar um “OI”. Amanhã venho ler tudo, to cansada agora, e tenho q acordar cedo amanhã! Vc escreve muito e sempre hehehehe, as vezes esqueço que nem td blog tem a (pouca) frequência do meu.
    Gosto muito do seu blog, e me admiro sempre pq vc tem somente 17 (?) anos. Nessa idade eu apenas lia, por causa do vestibular e pq eu gostava tb. E escrevia, unicamente pelo vestibular.
    Me admiro mais ainda por seres inteligente, e por se expressares de uma forma tão simples, tão de desabafo, mas tão de coisa séria, que lembra contos/crônicas/etc, de escritor famoso.
    Parabéns sempre.
    Beijo!

  7. Bem, o que falar ?
    A homenagem deve ser justíssima. Não a conheço pra poder dizer isso, mas confio em suas palavras. Ela é especial e pronto.
    Vou até visitar depois o blog dessa menina de olhos lindos pra ver de perto seu talento.

    Quanto à menoria de escritorEs que amam e não são amados. Bem, eu estou nessa menoria também rsrs

    Vou parar por aqui porque tenho uma péssima mania de extrapolar nos meus comentários… rsrs

    Um grande beijo pra ti Daniele.
    :)

  8. eu a amo e ela me rechaça! =~~
    rsrs
    mas a homenagem é muito bem posta. A Dri escreve bem demais pra uma menina tão jovem.
    E pelo que vejo, vc tbm! ;)
    Beijos mil e que a adolescência seja mais uma conquista do que um fardo, e que todas nós publiquemos livros aclamados! o/

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