Procura-se a nova Audrey

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

A bela Audrey Hepburn foi uma das atrizes mais importantes de sua época. Infelizmente, não tanto pela sua atuação e o conflito social/romântico que existia em Bonequinha de Luxo, mas sim pela “invenção” do “pretinho básico” que sua personagem, Holly Golightly, exibia. Audrey foi uma mulher inteligente, mas não era o seu intelecto que interessava quando ela atuou em My Fair Lady. Pois é. Esses filmes citados foram os seus mais consagrados e, pobre da Audrey, passou a vida sendo reconhecida apenas como uma mulher elegante e belíssima, estando no mesmo patamar de Marylin Monroe. É até compreensivo, pois a primeira metade da década de 60 se voltava para o consumismo desenfreado e todas as moças queriam seus diamantes Tiffany’s, provando assim, que o cinema ditava a moda. Poucos sabem, mas Audrey Hepburn foi uma mulher à frente do seu tempo, sob a máscara do comportamento que a sociedade exigia para uma beleza tão comum como a dela. Por sorte, atualmente não são apenas rostos bonitos e romances bobos que nos fazem ir ao cinema. Quatro jovens atrizes de diferentes localidades vêm chamando a atenção do público e da crítica por possuírem a semelhante beleza de Hepburn – mas também por obterem algo que faltou a esta: uma boa atuação.

Audrey Tautou – De nome bem semelhante à primeira, a pequena Tautou me chamou a atenção através do filme O Fabuloso destino de Amelie Poulain, a história de uma jovem apaixonante (quem não consegue gostar da Amelie?). E se destacou também como Sophie Neveu em O Código da Vinci, ao lado de Tom Hanks, onde interpretou uma séria descendente do Graal. O que impressiona em Tautou é a sua versatilidade nas atuações. Ela valoriza as expressões para cada diferente personagem. Destaco também o ótimo Coco Antes de Chanel, onde ela fez muito bem a estilista antes do sucesso.

Keira Knightley – Assino embaixo na atuação dessa moça, ela é uma verdadeira promessa cinematográfica. Já a vimos muito na trilogia Piratas do Caribe e como ótima protagonista em Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, ambos do jovem diretor Joe Wright. Keira sempre foi precoce: pedira, aos três anos de idade, um agente para os pais. E teve seu primeiro papel na TV aos sete anos. Desde pequena ela se esforçava para conseguir bons papéis e o dito cujo veio em O Buraco – suspense adolescente e psicológico. Em minha opinião, infelizmente Keira não dera o melhor de si ao interpretar uma jovem bulímica de colegial. Mas ela tinha apenas quinze anos. Hoje é uma atriz que possui a beleza dos gestos e obteve merecidos papéis de mulheres românticas, mas de fortíssimas personalidades. A Duquesa, por exemplo, é o melhor que ela tem a nos mostrar. Keira só deve tomar cuidado para não se prender aos filmes de época, embora ela dê sempre algo de contemporâneo a essas produções.

Natalie Portman – A jovem encantadoramente perigosa em O Profissional (com Jean Reno) era Natalie Portman. A israelense também começou cedo e fez sucesso na trilogia Star Wars, assim como em Closer – Perto Demais, Um Beijo Roubado e A Outra. Natalie obteve diferentes papéis ao logo de sua carreira de sucesso e seu empenho é bastante reconhecido. Em V. de Vingança, por exemplo, ela fez da personagem Evey uma mulher muito além da vítima frágil que a graphic novel sugeria, tornando-a praticamente uma nova heroína.

Carey Mulligan – Ela era uma garçonete que economizava ao máximo todo o seu salário e fazia pequenas aparições em séries britânicas de TV, até que se lançou em uma produção independente e chegou a ser indicada ao Oscar por isso. A vida de Mulligan é um conto de Cinderela hollywoodiano, tal como Hepburn em Bonequinha de Luxo. Mas isso é real e a sua família nunca aceitou sua profissão. Um dia, ao saber que Joe Wright estava fazendo um filme inspirado na obra Orgulho e Preconceito de Jane Austen, Carey escreveu ao diretor “implorando” para participar, pois gostava muito da escritora inglesa. E assim tivemos Carey em sua primeira pequena atuação, como Kitty Bennet, ao lado de Keira Knightley, também já aqui citada. Em Educação, ela interpreta uma jovem de 16 anos que se empenha nos estudos até conhecer um homem de 35 que lhe apresenta um mundo entre vestidos e festas intermináveis, onde ela passa a ignorar o tédio da adolescência para adentrar o universo que desejava. A história se passa em 1961, e a transformação visual de Mulligan evidencia sua semelhança com Hepburn. A sua personagem buscava a liberdade em uma época que ela mal sabia que todo um contexto libertário viria à tona com os jovens em 68. Mulligan com esse filme foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, o que é ótimo para a sua jovem e brilhante carreira, pois ela já é considerada a “queridinha” da Inglaterra.

 

Na ordem: Audrey, Keira, Natalie e Carey

Na ordem: Audrey, Keira, Natalie e Carey

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12 respostas em “Procura-se a nova Audrey

  1. Só não assino embaixo do texto porque acho que Audrey Hepburn era um boa atriz para o seu tempo. E devo destacar também o fato de ela ter abandonado a carreira de atriz para se dedicar a trabalhos humanitários.

  2. Parabéns pela critica das obras, nunca me entusiasmei por esse estilo de texto, acho muito “revistesco”, mas você mandou bem.

    Quem consegue não gostar da Amelie?
    Isso eu não sei, mas aposto que mais interessantes são as pessoas que dela gostam.

    Gostei da história da Mulligan, e acho que assiti o filme citado…No mais, é só.

    Postscriptum: (1)Ainda não esqueci seu texto para Nabokov, ele disparou uma bala no pente da minha memória e ainda estou tentando ajusta-la novamente; comecei a assistir Presença de Anita — você gostou?

    (2)Você escreveu os últimos textos tão rápido que não pude acompanhar, mas prometo que lê-los-ei assim que me encontrar livre.

    Boa noite e boa sorte.

  3. Honestamente, nunca assisti a um filme da Audrey Hepburn. O que posso dizer é que ela foi muito bonita!

    Se tenho um pecada é esse, sou muito contemporâneo em matéria de cinema. As centenas de filmes que já vi são de 80 prá cá. Antes disso, conheço poucos. Estou aqui com “os melhores anos de nossas vidas” e com “a dama das camélias”, com Greta Garbo. Estou me redimindo aos poucos em busca das origens da telona.

    Ao meu ver, as atrizes e os atores de hoje são muito mais profissionais, talentosos e competentes. É de se levar em conta que o cinema se tornou uma super indústria, com profissionas de todas as áreas. Temos ate escola de cinema hoje. Então, para mim, houve uma evolução. Progredimos muito. Por isso, comparar um a outro, de épocas tão distintas, é um tanto injusto.

    As novas atrizes citadas são incríveis. Gosto de todas. Sugiro que você leia essa matéria:
    http://bravonline.abril.com.br/conteudo/cinema/ponelope-cruz-523818.shtml

    Vivemos a vez da Penélope.

    Bela crítica.

    beijosdequemteama

  4. Pedro :Só não assino embaixo do texto porque acho que Audrey Hepburn era um boa atriz para o seu tempo. E devo destacar também o fato de ela ter abandonado a carreira de atriz para se dedicar a trabalhos humanitários.

    Pedro, passei a gostar mais da Hepburn depois que ela deixou a carreira de atriz mesmo. Achava sua atuação muito artificial e, às vezes, ela parecia perdida, perguntando-se: “O que faço aqui, afinal?”

  5. Ah sim, dedico este post para a Anna Vitoria, do Soo Contagious, ela gosta tanto de Hepburn quanto eu.

  6. Honestamente, eu me considero um alienado quanto à esse tipo de assunto. Em gravar nomes de atores, celebridades, filmes, ou coisas do gênero.

    Mas já assisti filmes com essas três primeiras e definitivamente gostei. Bom o seu perfil de todas. Decifrou bem as características de cada uma. Uma crítica bem ao seu estilo. Apesar que não sou muito fã desse seu estilo, mas admiro seu nível de detalhes.

    Prefiro as tuas crônicas. haha.

    Beijo.

  7. esse é o tipo de coisa que não se renova. o tempo passa, os padrões são outros. mas dessas quatro, sem dúvida a carey mulligan parece se assemelhar mais, apesar de estar longe de solidificar uma carreira ainda.

  8. Nina, prazer!
    Sou a Isis, autora do isoca.wordpress
    Esses dias vi que vc me linkou nas ‘literatices alheias’ e nossa! fiquei super surpresa e feliz também. Obrigada!
    Já tinha vindo visitar seu blog algumas vezes, o Luiz Henrique (Coração de Poeta) sempre o elogiava!
    E realmente vc faz jus a todos os elogios!

    Beijos

  9. Acabei de ver que você participa do Vida de Merda, bacana! Faz o que por lá? Eu também participo, sou moderadora!

  10. Tudo certinho, Nina, mas, além dos filmes citados, recomendo “Um clarão nas trevas” e “A princesa e o plebeu”, onde Audrey mostra que, além de bonitinha, sabia interpretar muito bem. Revi esses filmes recentemente no TCM (canal 91, pela NET), mas creio que dá pra se encontrar nas locadoras.
    Bjoooooooo!!!!!!!!!!

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