Wanna have fun

Cena do filme Maria Antonieta

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Ele diz um nome à espera de minha sincera opinião. Nessa sintonia falávamos de Brenda Lee. Eu lhe dissera que certamente a ouvia com o mesmo prazer que me entregava às baladas pop dos irmãos Carpenters. De forma que Sweet Nothin’s está para Mr. Postman. Dizia ainda que a musicalidade da década de 50 (até meados da década de 60) é descartável, quando ele me espetou com o alfinete a cabeleira espessa de duquesa de Bath que ia contra os princípios da lei da gravidade. Não estava dando certo.
Nossa prima Lorelai estava fazendo quinze anos e concluímos que esta é uma data da qual não se esquece. Uma festa veneziana carnavalesca à fantasia (em plena Páscoa) era a temática da comemoração debutante de nossa pequeno-burguesa, que não compreende o significado de humildade. Fiquei surpresa, realmente admirada que todos concordassem com o que certamente poderia ser considerada uma vergonha alheia e desnecessária. Eu não queria me intrometer na produção de tal evento, mas fui levada, inconscientemente, pois para tudo queriam a minha opinião, dos comes e bebes ao figurino e escolha da trilha sonora (bem sofisticada, ausente de Lady Gaga ou Britney Spears, é claro).
Encontramos, primeiramente, um ateliê circense (e por ora tão Lewis Carroll), que não cobrava tão caro por seus aluguéis. Muito cor-de-rosa e azul da Prússia. Adornos em violeta, maquiagens com aromas de jasmim, fitas brancas de cetim, sapatos delicados e seda vermelha. Era um paraíso burguês e de época, mas eu só tentava lembrar-me e aceitar a segunda característica. Sem demora, aderi a um vestido branco, com detalhes em vermelho e camafeu dourado. Luvas também em dourado e uma pequena presilha em formato de coroa, sapatos discretos – e a máscara, claro, não me poderia faltar a máscara, em purpurina rosada. Estava vestida confortavelmente, o que só comprova a minha teoria de que nasci no século errado. E os homens o que são, além da milícia e da monarquia? Nada mais, todos fardados, por favor!
Minha prima, obviamente, foi de Maria Antonieta. E a festa, em um salão de ambiente acolhedor (embora austero), possuía uma iluminação sem presença de defeitos. Divãs, sofás, bancos e cadeiras do século XVIII preenchiam o espaço, além da enorme mesa de jantar em que estavam sendo servidos os mais diversos doces, todos os tipos de chocolate, inclusive ovos e chá – muito chá, porque era uma festa européia e teríamos sim, muito da Inglaterra (idéia minha, confesso).
Joguemos bridge. Outros jogos de roleta e baralhos diversos. Todas as tortas eram beliscadas com dedos gulosos, tal como Sofia Coppola retratara em seu filme. Risos, brincadeiras, olhares furtivos, flertes impiedosos e muitos jovens bêbados.
O amanhecer fora belo – pois sim, chegamos a tal ponto de alvorada (o sol nascendo, a admiração mais bela que já tivemos). Grama verde e algumas sobras do que foram garrafas de vinho. Espartilhos abertos. Eram o calor e o aperto de uma feminilidade que reduzia as donzelas a escravas da beleza. Aliás, devo afirmar, nessa sociedade machista em que vivemos, não há nada que nos prenda mais do que soutien e casamento. Com o primeiro, dá-se um jeito: sempre haverá aqueles sem costura. Mas com relação ao segundo… Bom, melhor não casar. Sorte de que somos jovens e nossas mãos e corpos não estão prometidos e nem comprometidos a alguém que não conhecemos. Dormimos na grama, na relva, embaixo da árvore, sob suspiros cansados, fora uma noitada daquelas. Hoje retiramos e devolvemos nossos figurinos, ainda cansadas, sabendo que os príncipes viraram sapos e os soldados ainda são nossos vizinhos e amigos de colégio. Recolho-me em meus aposentos, desejando que nenhum empregado me incomode a tratar da fome dos cidadãos franceses. Que posso fazer se não tem pão? Ora, que comam brioches! As senhoritas de minha idade não sabem governar, mas sabem da diversão.

Cena do filme Maria Antonieta

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7 respostas em “Wanna have fun

  1. Vale muito a pena ver Dan Stubach ao vivo. Além de ser gratuito, é um show.

  2. Ô Daniele, todos temos um lado agressivo. As vezes nem nos damos conta e lá está o nosso pior externado. Eu tenho aprendido a lidar e a respeitar mais isso das pessoas.

    Acho que cabe a cada um criar esse vínculo com a pessoa a ponto de respeitar a personalidade de alguém. Você tem uma personalidade forte meu anjo. Te compreendo mais do que eu mesmo sou capaz de me compreender. Jamais quero incitar esse seu nível.

    Da mesma forma que você citou ser agressivo, eu também tenho medo disso em mim sabe, de uma hora fugir do controle e te magoar como magoei pessoas. Essa minha situação atual me deixou bastante pra baixo. Aos poucos vamos ponderando as coisas. Porém eu sou sentimento demais. E isso me prejudica. A emoção em alguns momentos supera a razão, e olha que eu em vanglorio de um equilíbrio razoável. Mas não estou imune a isso. Não sou perfeito. Ninguém é.

    Mas a nossa amizade não só pode, como deu certo. Você está se exigindo demais. Te adoro do jeito que é. E tu sabe que quando preciso falo minhas impressões de tu por causa de alguns posts. Algumas críticas outras admirações. Acho que temos liberdade um com o outro. Eu tenho inteira confiança em tu e você em mim. Você até hoje não me abandonou. Nem eu o mesmo. E se depender de mim isso não acontecerá.

    Quanto ao meu texto atual, eu falava mesmo daquele amor que me fascinou por um tempo. Quem a gente ama, rouba nosso sorriso pra si. No texto falo dela porque é pra ela. Um romantismo figurado, mas gostoso.

    Mas também não tenho dúvida nenhuma de que meu sorriso pertence a todos que amo. À minha família e aos meus amigos. E saiba, com certeza que meu sorriso também é seu. Sorrimos por um estímulo. Se alguém estimula esse sorriso, eu digo que meu sorriso é dela. E você me faz sorrir também.

    Guarde com carinho ele. É sim, bonito, transbordando confiança.

    Beijo doce.
    Se cuida meu anjo.

  3. Que lindeza! Sempre torci para que algum conhecido resolvesse fazer festa para que fôssemos a caráter. Até teve, um baile medieval, mas pra esse não fui convidada. E agora que passei da fase das festas de 15 anos, já perdi as esperanças. Gosto muito do filme Maria Antonieta, até tudo tão lindo, alegre, tão tons pastéis que dá vontade de guardar num potinho.
    Beijos

  4. Ainda quero assistir Maria Antonieta.
    Apaixonei com os detalhes da festa da sua prima. Quero ainda ir a uma festa assim.
    “Dê brioches ao povo!” Não me esqueço do meu prof. de História imitando a Maria Antonieta.

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