Workaholic revisited

É a continuação (mais feliz) de Workaholic.

“Acabara de dar-se conta de que existem duas coisas que impedem uma pessoa de realizar os seus sonhos: achar que eles são impossíveis, ou, através de uma súbita virada na roda do destino, vê-los transformar-se em algo possível quando menos se espera. Pois neste momento surge o medo de um caminho que não se sabe onde vai dar, de uma vida com desafios desconhecidos, da possibilidade que as coisas com que estamos acostumados desaparecem para sempre.”
:: Do livro O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho.

Cansada de bancar a secretária da vice-diretora, decidi mudar de estágio. Estava começando a gostar do anterior, até que percebi que haviam tarefas que não me eram cabíveis – o que, confesso, era muito mais pessoal do que profissional. É difícil começar a trabalhar em um local onde todos lhe conhecem e possuem uma agradável intimidade. Mas a convivência com os meus amigos fora momentaneamente abalada pelas ordens de minha ex-chefa. Passar de sala em sala para verificar o professor presente (ou ausente) e os estudantes que entravam sem fardamento não pareciam funções de uma estagiária em Informática (de fato, não eram), e causavam um constrangimento mútuo. Desisti, mas não desanimei. Afinal, eu tenho Q.I.
Um amigo me indicou para trabalhar em um hospital especializado em ortopedia e fisioterapia, que fica na frente da minha escola, ladeira acima de onde eu moro. E ainda paga um pseudo-salário relativamente confortante para o cinema e os livros da Saraiva. Melhor impossível.
Estou no setor de ambulatório e, inicialmente, achei irônico que alguém que está à beira da morte passasse a trabalhar em um hospital. Como fico na recepção, oriento os pacientes entre os consultórios, arrumo os mesmos assim que chego, vejo do que os médicos necessitam e entrego prontuários nas salas, além de consultar o arquivo. É um trabalho que exige dedicação e paciência, pois a maioria dos pacientes já são idosos e impacientes são alguns médicos e supervisores. Fico em pé durante todo o meu turno matutino, além de tentar fugir do ar-condicionado e aguentar a fome até o meio-dia. Entretanto, meu primeiro estágio de verdade têm sido uma busca pelo meu interior, um auto-conhecimento profundo – toda uma filosofia do existir.
Porque, em meu trabalho, sou bem melhor tratada do que quando estou em casa ou no colégio. As funções são devidamente distribuídas e não há competição ou excesso de deveres. A maioria dos médicos me são agradáveis. Com muitos deles converso (há até mesmo um, que foi meu fisioterapeuta quando precisei há oito anos atrás e que eu apelidei, – carinhosamente -, de Carlisle Cullen. Ele parece ter o mesmo rosto há muito tempo. Não envelhece!). Admiro aqueles que costumam chegar pontualmente e atendem bem seus pacientes. Esses, serão sempre elogiados e lembrados.
Entretanto, há o lado ruim. Muitos “doutores” não costumam obedecer a ética de sua profissão. Sabendo que há pacientes com hora marcada desde cedo (e que, possivelmente, deixaram de trabalhar ou fazer qualquer outro compromisso importante para ali estarem), parecem fazer questão de chegar quase no fim da manhã e sem dar satisfações. Isso acontece sempre com dois ou três médicos. Fora que atendem muito mal e saem tal como entraram: sem justificativa, sem avisar a recepção (obrigação deles). O que me aflige é que sou eu quem precisa acalmar o paciente que reclama do pleno descaso. Conscientemente, sou obrigada a dar razão a ele. Paciência.
A minha rotina continua a mesma: trabalho de manhã, escola pela tarde e pela noite. Procuro me alimentar bem e dormir cedo, já que preciso chegar ao ambulatório bem antes dos médicos. Isso têm melhorado um pouco o meu humor – estou mais controlada e menos insuportável (creio). Me sobra tempo para a leitura e também para pensar em planos futuros.
Surpreendentemente, venho questionando à mim mesma sobre a escolha de minha faculdade. Fazer História, pelo que estou vendo, me destinará automaticamente à área de ensino: tornar-me-ei professora. Não é o que quero. Prefiro viver história, conhecer os lugares que vejo descritos e estampados nos livros. Ir à Paris, virar francesa, escutar Jacques Brel. Não falar mais, tal como Jenny em Educação (c’est plus chic!); montar o meu apartamento, para enchê-lo, não somente de livros, mas também de fotos de viagens e móveis de antiquários de diferentes épocas e partes do mundo. Ser ecunêmica, universal. E os planos para tal (e)feito já estão traçados.
Primeiramente, um curso de hotelaria no Senac (há garantia de que, ao término do curso, os alunos sejam encaminhados para o mercado de trabalho), após algum tempo em serviço, com certeza outro curso – mas para comissária de bordo -, aeromoça, no popular. Para esta profissão, a dedicação precisa ser absoluta – terei que lidar com o desprendimento, além de não parar muito em casa e ter que fazer malas o tempo inteiro. Dei uma pesquisada. Infelizmente, não há muitos locais aqui em Salvador onde tal curso é disponível – e a mensalidade, creio, é elevada. Exige altura e exames patolõgicos (será que vai ser difícil comprovar que não sou louca?). Por sorte, há um curso confiável não muito longe de onde moro. Minha mãe deu a sugestão de que eu faça Turismo, mas expliquei-lhe que quero ser turista apenas e não turismóloga. Entretanto, esses são planos futuros. Agora, só quero completar o meu estágio e sair vitoriosa da escola.

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22 respostas em “Workaholic revisited

  1. Então vc ainda é estudante de colegial? Bom saber, minha admiração só fez aumentar: belos textos para que mal completou esse estágio da vida. Parabéns!

    =) Adoro o seu blog. Grande beijo

  2. Eu odeio mudanças na rotina, me deixa meio perdida.
    :~

    eu fiz Hotelaria no Senac, e adorei.
    agora sou uma Tecnica em Hotelaria. =)

    Beijo lindeza.

    Ps: texto pra você no meu blog.

  3. Boa sorte nesse seu novo estágio, que você aprenda muitas coisas e possa, logo mais, realizar seus ‘sonhos’.
    Beijo.

  4. essas dúvidas acabam comigo! eu detesto! também tô nessa fase. aff ¬¬
    mas boa sorte com estágio e em todo o seu caminho! rs

    beijão, flor.

  5. Primeiro comento sobre o texto de Paulo Coelho. Não sei se eu postei no tumblr, ou no Vanilla mesmo: “mudar e não ser mais o mesmo nunca, te assusta?”.
    É preciso ter coragem pra se desprender do que fomos, e do que somos. Ter coragem de deixar a mudança vir, chegar. É estranho, e eu ainda ando trabalhando isso no meu coração.
    ***
    Pois é.. que bom que tem se sentido melhor, Nina. talvez até mesmo o fato de lidar com dores alheias lhe faça mais serena. Creio que você tenha uns 16 ou 17 anos, né? Eu já tenho 22, e continuo com minhas dúvidas, temores, e incerteza sobre o que fazer e o que vem pela frente. Tenho tentado confiar em mim e no tempo. Abraços.

  6. É gostoso ler o sobre fatalismos, porque, além da escrita bem feita – raridade nos jovens de hoje – me remete aos meus dias mais frescos, mesmo que muitas vezes, a autora, embora jovem na idade, me pareça ter um espírito antigo, que é muito diferente de velho.

    Estou segura de que você entendeu bem o paralelo. Para poucos.

  7. Oi Nina, hj descobri q temos algumas coisas em comum… Eu tb era estagiária de Informática, mas tb acabei me tornando secretária da vice-diretora e acabei por ter as mesmas “funções” que vc, ah… e fiquei extremamente feliz ao saber, vc tb é baiana!!! Eu sou baiana, mas moro há quase 5 anos em São Paulo, mas provavelmente irei à Salvador em janeiro, adoraria te conhecer!!!!!

    Bem, a respeito do texto, divino como sempre, por isso venho sempre aqui… E como li num dos comentários acima, tb acho q viver sem apegos não será difícil pra vc e espero q vc goste daquilo a q vc se dedicar a estudar, eu não fiz Turismo ou curso no Senac, mas faço Letras com Francês e adoro, espero de verdade q vc possa fazer q vc gosta e tenho certeza de q fará bem…

    Beeijo, Jade Follett *–*

  8. Fiquei com vontade de ler o livro que você disse que te lembrava o poema (?) minha mãe tem aqui em casa… já estava procurando um livro msmo IOHSDIOSHDIOSHDS
    Nossa! você é uma super garota então? Está em qual ano do colégio? e é você que está me seguindo no twitter? hahaha

    beijos Nina!

  9. Ah, boa sorte no estágio! E calma que a dúvida sobre a profissão é a coisa mais comum, mas passa logo!

  10. Que bom que o novo estágio está te fazendo bem!
    “Não é o que quero. Prefiro viver história, conhecer os lugares que vejo descritos e estampados nos livros. Ir à Paris, virar francesa, escutar Jacques Brel. Não falar mais, tal como Jenny em Educação (c’est plus chic!); montar o meu apartamento, para enchê-lo, não somente de livros, mas também de fotos de viagens e móveis de antiquários de diferentes épocas e partes do mundo. Ser ecunêmica, universal. E os planos para tal (e)feito já estão traçados.” Eu tb tenho o sonho de realizar tudo isso!

  11. Planos traçados para o futuro são coisas interessantes e necessárias, mas acho que nada teria graça se tudo fosse exatamente como planejado. Dito isso, ser um cidadão do mundo e totalmente desprendido de qualquer lugar parece excelente.

  12. Oi, Nina (: Preciso dizer que admiro muito sua maneira de escrever e suas referências. A Jenny, de Educação, é uma personagem muito admirável… aprendeu com seus erros e percebeu o que é realmente importante na vida.
    Fico feliz que você esteja gostando do novo trabalho e conhecendo bons profissionais. Lamentável, porém, que tenha que presenciar também médicos que fazem pouco caso dos pacientes… Sobre o que estudar, escolha algo que você gosta e que continue te fazendo feliz por muitos anos. Sorte pra você!
    =*

  13. Qualquer caminho que colocar seu coração, será mais feliz.

    beijos

  14. Que mudança, hein Nina?
    Da escola para um hospital é definitivamente uma reviravolta. E uma reviravolta que tem te feito bem, e isso que é importante.
    Assisti Educação já faz um tempo, e a Jenny realmente me lembra muito você. Pelos sonhos, as ambições e toda aquela coisa Jenny de ser. Você é mesmo do mundo e tem mesmo que viajar por aí, conhecer esse mundão, vais tirar um proveito incrível!
    Não sei se você já assistiu Tudo Acontece Em Elizabethtown, não tem nada de mais, mas é meu filme preferido principalmente por uma das protagonistas, Claire, que traduz bem esses teus desejos de futuro. É aeromoça, desprendida, que vive seus dias um de cada vez, é um desses espíritos livres.
    Assista e veja se concorda comigo.
    Beijos

  15. Mudar de estágio, ou mesmo de trabalho, precisa ser numa função em que você se sinta bem. Muito mais até do que o lado financeiro, a sua satisfação, o seu bem-estar de estar num ambiente bom de trabalho são essenciais, fora o fato de tu ter que gostar do que faz. Isso são elementos imprescindíveis. Fico muito feliz que você esteja bem, nesse sentido. Que bom mesmo.

    Mas não me conformo em ler coisas do tipo “alguém que está à beira da morte”. Acho que já podemos parar com esse complexo. Pra mim é apenas isso. E não ache que eu estou esnobando o que tu passa e vive, porque eu sei, mas a questão é que isso tudo é um despropósito. Você não é a única que passa problemas, muito menos a pior. A questão central é que você precisa analisar a tua vida por diversos prismas. Isso te dará uma percepção maior do que de fato merece sua atenção e o que é essencial. Deixa com esse papo. Tem muita gente aqui que te quer viva. Então sorria, eu sou uma dessas. Te amo muito pra poder suportar isso. Humpf!
    A não ser que a morte seja apenas figurada, retiro o que disse. =D

    Mas então, alguns “doutores” (muito me custa dizer isso quando poucos de verdade tem doutorado) abusam mesmo do sistema. O descaso é enorme, e não dá satisfação. Mas faça o seu trabalho meu anjo. O importante é fazer a nossa parte. A gente só se desgasta se tentar trabalhar pelos outros. Jogue de volta no mar as estrelas do mar que você é capaz de jogar. O restante cada um faz a sua parte.

    Bom que essa rotina esteja te fazendo bem. Meu sorriso é instantâneo ao ler isso. Procure continuar assim. Você é uma pessoa querida. (JAMAIS insuportável).

    Bem, quanto à faculdade, eu não gosto de dar pitacos, mas vou dizer o que acho. Não necessariamente fazer história te leve obrigatoriamente a dar aulas. Você pode ser uma pesquisadora, uma historiadora e não precisar ser professora. Você pode ter um foco mais nessa área mesmo. E até acho que história seria perfeito pra tu. Você é fascinada por isso. E pra vivê-las seria legal ter. Ser historiadora te permitiria viajar sim. Ir ao encontro de vários lugares, onde você pode estudar, fazer uma pesquisa, (e turistar rs).
    De fato, ser turista é melhor. O turismólogo é um profissional que viabiliza o processo do turista em praticar o turismo. Porém há uma gama de áreas e sub-áreas no turismo. Há tantos e diversos lugares, e funções com as quais você pode trabalhar ou exercer. Ser turismólogo, nesse sentido é fascinante, pela maneira que ele busca planejar, viabilizar e executar os serviços necessários capazes de atender ao turista. Ele porcura orientar todas as seções responsáveis em atender o turista. Até um pipoqueiro na beira de uma praia pode ser treinado pra isso, afinal, ele recebe muitos turistas. Isso tudo influi na boa imagem do local onde ele visita.

    O turismo depende de uma série de elementos para se concretizar de forma segura. A infra-estrutura básica está relacionada à segurança, transporte e hospedagem. Depois tem outros meios de apoio ao turismo, como restaurantes, bares e alimentação, hospitais, órgãos de emergência, lojas, áreas de lazer, entre tantos outros. Isso tudo dá suporte para tornar seguro a visita nos locais que são atrativos em potenciais, como moumentos, praças históricas, atrativos naturais, prédios, etc.

    O trabalho de um turismólogo é amplo por demais. Depende muito da área ao qual ele se identifica. Um turismólogo pode ser um planejador, ou alguém que elabora projetos, para viabilização de eventos, melhorias, visitas, etc. Pode trabalhar no setor de transportes, aviação, restaurantes, hotelaria.
    Tem quem foque mais o marketing e cuide dos trâmites relacionados à divulgação de elementos, eventos, e produtos turísticos ou de empresas de turismo.

    No meu caso eu sou mais ligado ao marketing. E como eu sou designer gráfico, eu amplio essa minha identificação, porque eu executo e crio materiais de publicidade. Como hoje aqui no estado o turismo ainda é ínfimo, o trabalho aqui é modesto, mas tem momentos que eu faço algum freelancer, onde preciso criar as mídias (impressas – que é a minha especialização, porque mexo com corel draw, photoshop etc) de um evento turístico, ou um logotipo relacionado ao turismo, ou divulgação de atrativos. Conheci muita gente que gosta muito do meu trabalho e sempre de vez em quando sou chamado pra fazer umas coisas assim. Infelizmente meu trabalho ainda é indireto, no sentido que faço isso de maneira informal.

    Mas aqui ainda vai crescer e esse dia há de chegar para eu enfim poder direcionar melhor meu conhecimento à prática.
    Turismo é legal Nina. Meu formei nessa área e garanto que ela te abre um leque de conhecimentos inacreditável. O curso em si sofre muito preconceito, mas depois que tu o conhece tu vê que ele te oferece uma variedade de assuntos e elementos, da qual tu vai perceber que opções serão muitas e muitas. Tem áreas para todo gosto. Dentro de escritório e in loco. O gosto é de cada um.

    Mas ainda acho que história pra ti é ideal. =D

    ps: Me perdoe por vir depois de quase duas semanas depois. Eu ando com pouco tempo. Estou postando textos, mas a verdade é que ando exausto com a rotina. E isso tem me sugado bastante energia. Não estou escrevendo com tanto afinco e estou visitando raramente blogs. Mas a coisa vai melhorar. E outra, jamais deixo de vir aqui. eu vim aqui outras vezes nesses ultimos dias, mas comentar foi o maior desafio. Mas não é por não querer, mas é por tempo. Pra te comentar eu preciso ler com calma e dizer o que penso sobre o texto.

    ps2: ah eu fiquei muito FELIZ por tocar sobre a profissão do turismólogo. É uma profissão tão essencial quanto às outras. Pena que ela não é regulamentada. Ai ai, mas vamos reverter isso. E agradeço por nas entrelinhas lembrar de mim. Citar o turismo remete a mim né? Eu fico por demais feliz. Muito muito.

    Beijo GRANDE do turismólogo aqui. Um que te ama muito.

    ps3: ainda vou turistar na Bahia´de novo só pra te conhecer. =D Porque duvido muito você turistar por aqui. Todo mundo diz que um dia vem aqui, mas não boto fé não. Só dizem rs

    ps4: tu tem um número TIM? Se não tiver tu podia arranjar um. Eu estou com um da promoção infininity, e só pago 0,25c para qualquer lugar do Brasil, quanto tempo quiser. Eu poderia ligar pra ti. Seria legal eu ‘conhecer’ a tua voz. rs

    Beijo de novo.

    Te adoro!!!

  16. Coloque seu coração em tudo que for fazer e a felicidade será consequencia..
    beijos

  17. primeiro: detestei seu layout novo. como pseudo-designer, aviso: nada funciona, está todo banguçado. acho que dá pra arrumar só mudando a tipografia, o resto está bom. desculpa, precisava dizer.

    boa sorte com seu futuro de viajante pelo mundo. eu sempre quis isso também.

    e, aliás, saí de salvador hoje à tarde. me apaixonei pela sua cidade, mesmo na chuva.

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