Quatro anos de Gloss

Quatro anos atrás, eu ainda pertencia a um grupinho de ensino médio abaixo da última camada social; sofria de amor primeiro e platônico, começava esse blog. Há quatro anos atrás, a Capricho já não fazia mais sentido – pasmem – eu só tinha dezesseis anos. O Antonio Prata havia ido embora, de modo que eu me sentiria mensalmente órfã de suas crônicas. E as revistas balzaquianas para mulheres ricas da alta sociedade, creio, jamais darão sentido à minha existência. E foi então que surgiu a Gloss.
Uma revista super em conta (cinco reais bem investidos e que não farão falta), para meninas de vinte anos que mal saíram da adolescência, estão começando a vida profissional, entendem que a moda é mais do que um mero desfile sem personalidade e curtem música independente entremeado no cinema cult. Possuo a primeira edição até hoje, porque, sei lá, há quatro anos atrás eu ainda pretendia ser jornalista, sonhava escrever para as revistas da Abril, ter uma coluna semanal na minha predileta. E, caso acontecesse de meus textos estamparem a penúltima página da Gloss, eu poderia utilizar a primeira edição como desculpa de prefácio, como faço agora.
Primeira edição da Gloss, em outubro de 2008.Gisele Bundchen exibia uma expressão doce na capa – em suma, mais parecia uma menina comum – diferente daquele rosto exageradamente maquiado de campanhas publicitárias. E penso que é isso que se ausenta das capas de revista: demonstrar que uma pessoa pode ser bonita sem precisar de muito. Claro que isso pode ser considerado uma afronta, pois Gisele é lindíssima de qualquer modo, mas também podemos ser – isso mesmo: nós, meras mortais, tentando sobreviver em meio a tecnologia japonesa em um país subdesenvolvido, enquanto a “cultura” americana ainda impera, pegando fila no banco, trabalhando, sentindo o salto alto doer no pé ao fim do dia, comprando um esmalte na farmácia da esquina, uma vez na semana.
Estou tentando dizer que certas revistas vão além dos editorias de moda, das dicas de como se sair bem na cama e de testes estilo “será que ele está a fim de você?”. Há quatro anos atrás eu sentia falta de conteúdo, do tipo que realmente me interessasse, me apresentasse as possibilidades de futuro. E a Gloss me proporcionou muito de tudo isso. Quer viajar? A Gloss indica passeios bacanas, além de hotéis e restaurantes em conta. Quer subir na carreira? A Gloss explica como, mesmo que você esteja apenas começando. Quer ficar bonita sem gastar muito? A Gloss garimpa, te ensina que brechó pode ser tudo de bom, transforma suas páginas em espelho – então, não se surpreenda caso você “se encontre” na revista. A intenção é essa.
Quatro anos depois, decidi assinar a Gloss. Agora recebo meus exemplares em casa, religiosamente todos os meses. A recente edição trouxe sessões novíssimas e originais. Quatro anos depois, importo-me mais com os amigos que tenho do que o status que possuo. Quatro anos depois, já deu para entender que a vida é curta e sofrer por amor é bobagem. Quatro anos depois e consegui transformar o meu espaço literário em mais do que um informativo egoísta de desabafos. E, nesses quatro anos, estive com a Gloss, enquanto ela esteve comigo.

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14 respostas em “Quatro anos de Gloss

  1. Uou! Você podia oferecer-se pra merchan! rs..

    Brincadeiras a parte, eu também amo a Gloss – e também já sonhei em escrever pra abril e ter uma coluna só minha! – acho ela super completa, cheia de conteúdo rápido e simples. E o melhor: barata e ideal pra levar na bolsa. Nem pesa! rs

    Beijos!

  2. Ei, Nina! É lindinha essa história de ter o PRIMEIRO exemplar da revista, gente! Nunca peguei um Gloss na mão, adoro ler a TPM, hehehe.
    Beijos!

  3. Adorava as crônicas do Prata!
    Eu detesto essas revistas de perua, como tu disse, que só falam coisas inúteis e superficiais. A maioria delas são pra desmioladas que só pensam em arrumar macho e emagrecer até virar a mulher pirulito (magra e com cabeção). Inclusive, são só pra ricas né? Pq as dicas de moda mostram um sapato de 400 reais, ou seja, pessoas normais que dão valor ao dinheiro (e ralam muito pra ganhar) não pagam 400 trocos num sapatinho!
    :* bom fim de semana!

  4. Eu adoro a Gloss! Ela é a única revista que gosto na verdade (no estilo mulherzinha, claro, mas mais que isso). Ela dá uma sensação de liberdade, de estilo, de coisas bacanas e simples :)

    Beijinhos, adorei o post! :*

  5. que massa né, evoluir sempre, conhecer sempre isso sim é bom demais, eu comecei a ler a gloss no segundo ano da faculdade bommm absurdo e finalmente me encontrei nas matérias, continue assim evoluindo sempre…

  6. Sempre dá para extrair algo de bom de cada leitura. Até mesmo de revistas das quais você julga não oferecer muito. Mas esconde boas lições e boas dicas para conduzir a vida, e entender a si.

    Nunca li Gloss. Mas da forma que falaste, ela até parece atraente.

    Beijos!

    ps: querida, tem selo pra ti no meu blog. Espero que goste.
    Te amodoro!

  7. Adorava comprar a Gloss mas foi acumulando tanta revistinha aqui em casa! Agora leio quando vou à médica mas, confesso que ela me ajudou e me aconselhou várias vezes! Kiss

  8. Acabei de me enxergar nesse post, porque eu comprava Capricho só pelas crônicas do Antônio Prata na última página e quando ele foi embora da Capricho, fiquei órfã de revista. Foi aí que a Gloss veio, com um perfil diferente. Eu também sonhava em escrever para alguma revista da Abril (ser colunista, fica a dica) e fui fazer jornalismo por causa disso, acho. Até que eu vi que, pelo amor de Deus, jornalismo nada tem a ver com o que eu penso para a minha vida. Aí fui fazer Produção Editorial. Mas eu ainda quero ser dona de revista. Enquanto isso, eu leio a Gloss. Amo, amo, amo. E também tenho a primeira edição.

  9. Primeira visita, e uma grande identificação com o post.
    Acho que a Gloss se encaixou, e muitas de nós nos encontramos com ela.
    Sabe aquela angústia na banca, onde você repara que já passou da fase Capricho, mas ainda não esta na fase Claudia?
    Precisávamos de atenção..

    Ainda não assino, mas sempre acompanho. Acabei de ter um incentivo ;)

    Até os próximos posts!

  10. Ah, eu adoro quando alguém indica alguma coisa que preste. conheço a gloss ‘de vista’ desde que a propaganda passou na TV, mas nunca li.
    vou dar uma olhada no site.

    :*

  11. Nunca gostei de Capricho, mas Gloss é legal mesmo! Não que eu compre ou assine, porque não sou dessas que leem revistas religiosamente, mas é uma das poucas revistas que eu leria!
    Parabéns pelos 4 anos de blog e sucesso no seu emprego!
    Beijos

  12. Da Gloss eu gosto muito das capas, sempre cheias de cor. Mas nunca peguei a revista pra folhear, dar uma olhada. Sobre as crônicas do Antonio Prata, confesso que era a primeira coisa que lia das antigas Capricho, faziam meu dia. Beijo!

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