Charme do mundo

Até hoje considero inadequada a voz da Marina Lima, apesar dela ter estado tão presente em minha infância, quando o rádio permanecia ligado na cozinha. Sua rouquidão e agressividade atravessando o pop exagerado da década de 80 não me atraíam de forma alguma. Mas essa repulsa era facilmente dissipada com as letras das canções às quais ela submetia uma resistente interpretação. Devo ter lido em alguma imitação da Rolling Stones que o seu irmão compusera as letras mais representativas de sua carreira. Classifiquei Não Sei Dançar como uma de minhas prediletas e segui o meu caminho contra o vento, sem lenço e sem documento, rumo à discografia do Caetano. E então Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector adentraram o meu literário espaço geográfico.

Clarice Lispector, escritora.
Eu tenho febre. Eu sei. Acreditei que, assim que estivesse diante de mim a sorte de ler Abreu e Lispector, ficaria imediatamente fascinada e essa extensão de encantamento seguiria até o fim de minha adolescência. Ledo engano. Primeiramente pelo erro crasso de ter iniciado Lispector com A Paixão Segundo G. H. – sua obra de maior complexidade. Abandonei a leitura na segunda ou terceira página, mas não o fiz em relação à sua autora. E então viera Uma Aprendizagem Ou O Livro dos Prazeres – um de meus romances nacionais prediletos, pelo simples fato de apresentar um personagem utópico e belíssimo: Ulisses, que contrapõe a personalidade errante de sua companheira meio beauvoriana. Depois caíra em minhas mãos um exemplar das correspondências entre Clarice e Fernando Sabino (este último, sendo representado como “o autor de minha infância”, ao lado de Saint-Exupéry, é claro) e terminou aí o “meu lance” com a nossa mais importante autora brasileira, apesar de ucraniana. Com Caio Fernando Abreu, não poderia ter sido diferente: li a sua primeira publicação, o Inventário do Ir-Remediável (que também serve de denominação para uma das seções deste blog) e uma insignificante seleção de contos de uma também insignificante editora.

Caio Fernando Abreu, escritor.
Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector deveriam estar de acordo com a minha idade. Sobretudo porque são autores para serem lidos nas desenfreadoras dificuldades que enfrentamos aos quinze anos (sim, refiro-me ao amor primeiro). Porém, talvez pela complexidade lingüística um tanto quanto interiorizada no sentimento humano de entender a si próprio (e não ao mundo), talvez eu caísse em uma espécie de “overdose existencialista” se adentrasse mais na perspectiva desses dois. Fato é que gosto deles na mesma proporção com a qual ouço Marina Lima, pois o meu distanciamento é nítido. Gosto das frases aleatórias e, se Lispector ou Abreu caírem em minhas mãos, ao acaso, serei capaz de lê-los com o mesmo vigor ao qual me dedico aos meus atuais prediletos desde aqueles remotos tempos: Saramago, Nabokov e Benedetti.
Eu mesma considero surpreendente que tenha lido apenas dois livros de cada autor e que tenha desistido de um exemplar de Clarice. Isso contraria a ordem natural do ciberespaço: quase todos os blogueiros rasgam-se de emoção ao citarem esses dois como influência. E considero ainda mais estranhamente engraçado que muitos de vocês cheguem aqui e me comparem, de cara, com a literatura de Lispector. Fico pasma, gente. Mas, nesse ponto, é provável que eu tenha sorte: porque talvez, para escrever como Lispector, o melhor atributo é não especializar-se em sua literatura, assim como ela costumava dizer algo como “eu tenho medo de ser eu”, acho que também tenho medo de não sê-la.
O mercado editorial está aí também para encontrar a nova Clarice. Se eu tiver sorte, talvez eles me encontrem, apontem e decidam publicar as bobagens aqui estampadas. E tudo isso, naturalmente, depende de minha plena passividade em não procurar um futuro para os meus textos. Mas penso que essas comparações são absurdas, principalmente para mim – que declino desses elogios e procuro um estilo próprio. De antemão, descarto os efeitos cinematográficos nabokovianos – apesar de amá-los. É certo que eu gostaria de escrever como Saramago, mas essa é uma difícil missão que resultaria numa imitação clara e prenúncio de fracasso, tendo em vista que Saramago fora único. No livro que estou lendo, Verdade Tropical, de Caetano Veloso, ele escreve que um amigo lhe dissera a regra número um para quem decide ser escritor: não imitar Proust. Caetano, na época que ouvira aquele mandamento, ainda não havia lido o famoso autor francês e, quando o fez, julgou impossível que alguém tivesse a capacidade de imitá-lo. Do lado de cá, embora anseie bastante pela ocasião, ainda não li Proust. Por sorte.
Tristessa, livro de Jack Kerouac pela L&PM Pocket.Acho que o mundo faz charme. E que ele sabe como encantar. Em meus quinze anos, devorei clássicos da literatura universal, uma ou outra antologia de Drummond e continuei amando Rubem Braga – meu cronista predileto com o qual pretenderia me casar, se ainda entre nós estivesse. E queria as leituras de todo mundo: George Orwell, Jorge Luís Borges, Jack Kerouac. Aliás, meu relacionamento com Kerouac é de uma doce ambigüidade. Tenho preconceito em adquirir livros finos – desses com menos de cento e cinqüenta páginas. Simplesmente não os compro, mas pode ocorrer a sorte de encontrá-los em alguma biblioteca (e assim li A Metamorfose, de Kafka; e Romeu & Julieta, de Shakespeare). Entretanto, Tristessa sempre estivera ali, no mesmo lugar, na estante dos pocket books da L&PM enquanto eu pegava a fila do mercado. E, apesar do preço em conta, havia um desinteresse enorme de minha parte em levar um exemplar daquela espessura, mesmo acreditando na literatura de seu autor e por esse título tão sugestivo (fora a veracidade que inspirou a obra) que, com toda a certeza do mundo, guardava uma história muito interessante. Quando decidi comprar Tristessa, ia sempre ao mercado e, vendo-a, lembrava-me do fato de que esquecia de levar dinheiro suficiente. Era sempre assim. Em contrapartida, também tenho preconceito com pocket books de muitas páginas (mais de duzentas e cinqüenta, por exemplo), de brancura excessiva e letras cuja fonte é especificamente 10. Infelizmente, a L&PM peca para este lado (apesar dos títulos ótimos a preços acessíveis) e assim também recusei On The Road (devo ter lido mais da metade e só), do mesmo autor, tipo de leitura obrigatória entre os jovens com os quais circulo.

Jack Kerouac, escritor.
O inevitável veio quando o “meu namorado” (ainda é estranho, ainda é muito estranho…) perguntou-me se eu havia lido algum Kerouac. Respondi-lhe que não, mas também afirmei meu pleno interesse em Tristessa, desde sempre. Foi muita sorte: ele adora esse romance e emprestou-me no dia posterior ao que eu tomei vergonha na cara e percebi que havia dinheiro sobrando na carteira. Então entrei no mercado, peguei o meu exemplar e passei-o no caixa, sem mais demora.
Eu gosto de romances possíveis. Tristessa, em suma, é inspirado em fatos reais. Histórias de humanos com seres de outros planetas e/ou mundos fantásticos não me atraem. Isso explica, por exemplo, minha paixão pelas obras de Mario Benedetti e Machado de Assis: apesar de seus finais infelizes, quase sempre condensados com a morte, é viável que eu me coloque no lugar da personagem e caminhe livremente por sua intensidade. Por isso A Trégua e Memorial de Aires são tão significativos, enquanto os best-sellers de minha geração não me causam torpor, não me fazem sentido.

José Saramago, escritor, ao lado de sua esposa, a jornalista Pilar Del Río.
Acredito que os melhores escritores são lusitanos e latino-americanos. Tinha tudo para desprezar Saramago, se quisesse. Sobretudo por aquela escrita complicada, diálogos intermináveis e desobedientes. Mas me encantam suas personagens femininas: mulheres fortes que encaram as dificuldades de frente – tudo o que Simone de Beauvoir quis ser – um pouco mescladas pela particular figura de sua esposa, Pilar. As personagens saramaguianas são extremamente espanholas, de lábios carnudos e muito a dizer. Exceto uma, minha predileta: meio afrancesada, existencialista, filosófica (também aparentemente frágil). Trata-se da “rapariga dos óculos escuros”, assim identificada em Ensaio Sobre a Cegueira, que lança sobre nós a profunda e clássica frase da mais importante obra de Saramago: “dentro de nós há uma coisa, esta coisa é o que somos”. Essa mulher é uma jovem prostituta, meio estrábica (o que lhe confere “um quê” de russa, meio Nina Lugovskaia). Poderia ser uma personagem nabokoviana, espécie de Lolita crescida, desacreditada, desesperançada. Mas talvez seja como a personagem-título de Kerouac. Com certeza é assim.
A Instrução dos Amantes, livro de Inês Pedrosa.Inês Pedrosa, outra escritora vinda de Portugal, cai como uma luva e um presente para todas as idades. Em matéria de delicadeza, não existe narrativa mais ímpar, densa e repleta de sentimentalidade (e combina com alguns dos versos de Adélia Prado). Pode-se ler a profundidade de Fazes-me Falta aos dezesseis anos para sentir-se saudosista diante d’A Instrução dos Amantes. Este último narra a história de uma turma carregada de conflitos após o suicídio de uma garota do bairro. A compreensão da vida é tão nitidamente intensa e os sentimentos tão precoces, que toda a minha adolescência parece estar ali – principalmente quando a luta entre vida e morte está mais enraizada dentro de nós mesmos.
É um fogo leve que eu peguei do mar – ou de amar – não sei. Mas deve ser da idade. À exceção de poemas aleatórios encontrados em livros didáticos e cadernos de colegiais, a verdade é que nunca li uma obra completa de Fernando Pessoa. Não é tão surpreendente quanto minha ignorância perante Lispector, mas é certo que adoro o mar – meu principal refúgio – e deveria ser uma obrigação de minha parte adentrar o universo de quem melhor narrou o movimento das ondas. Mas, para isso, tenho Drummond (meu amante), esse mineiro arredio que demorou, mas se entregou ao balanço sonoro da maresia.

 Carlos Drummond de Andrade, poeta.

Amo o mar que Drummond avista, sobretudo porque mantenho o mesmo distanciamento de mera observadora com relação ao meu infinito. E me sinto pequena diante dessa magnitude que não ficara opaca através dos tempos. O mar é tema corrente na literatura – e ainda desperta as mais variadas emoções.
Por isso, sou levada. E vou nessa magia, de verdade. Não sei precisar exatamente aquilo que molda as influências literárias. Trata-se de uma extensão grandiosa para ser resumida. Não sei como podem me julgar tão parecida com uma escritora que desconheço quase plenamente. Não sei se irei me apaixonar, com um arrebatamento incomum, um certo Fernando Abreu – que também é Caio. Às vezes converso aleatoriamente sobre Saramago com “o namorado” que agüenta essas minhas divagações. Mas ele diz achar bonita essa minha paixão pelo escritor. E contei-lhe de quando soube de sua morte, do tanto que chorei pelo falecimento do amigo que não tive. O “meu namorado” (já falei do quanto é estranho assumir que tenho um namorado?) é espírita: do mal da perda acredito que ele não sofra, por obter um entendimento acima do meu na questão da morte. Isso é muito bom, porque sei que vou embora antes dele. Assim, não terei muito da preocupação que Saramago demonstrara em seu documentário, ao apresentar o esconderijo no qual deveriam ser guardadas as suas cinzas. E então ele afirma não ter medo da morte, mas temer por Pilar, em como ela ficaria depois que ele fosse embora. De certa forma, o autor premeditava a crônica de uma morte anunciada.

Pilar Del Río, jornalista e viúva de José Saramago.
Transferi o meu sonho de conhecer Saramago para, um dia, tornar-me amiga de sua esposa. Consolá-la talvez. Ouvir histórias a respeito do homem que também amei, mas de outra forma. Amei Saramago como uma filha – e até hoje me sinto órfã. Sonhava fazer o caminho de Lanzarote: ilha cercada de pedra e sol (o mundo parece ter começado ali). Pediria que o casal, literalmente, me adotasse. Saramago e Pilar não chegaram a ter filhos.
Esse cuidado que Saramago teve ao pensar em como Pilar seguiria após a sua morte trai um pouco das perspectivas do próprio. Ele não acreditava em Deus, mas reconhecia sua identidade católica. Não acreditava por estar cheio de Deus. O equivalente ao que André me dissera no dia em que “reconheci” o Professor de Filosofia: negar a vida é estar cheio dela. Recentemente, em um desses nossos momentos de existencialismo (no quarto escuro de sua casa, deitada nua em sua cama), confessei ao “meu namorado” que mereço morrer cedo. Sempre acreditei nisso, mesmo antes de descobrir meu potencial para a coisa. Ele questionou o motivo daquilo. “Eu vivo demais… ou de menos!”, respondi, com certa ambigüidade. Pediu maiores explicações que eu não saberia dar. Mas ele tem respostas convincentes para tudo (por isso eu o amo tanto) e disse: “você vive intensamente, interiormente”. Sim. É exatamente isso. Se eu fosse expressiva o suficiente, me transformaria em composição cubista e pintaria o mundo de incêndios azul-turquesa. Mas não sou Frida Kahlo, sou Lispector (segundo a opinião de vocês), lembremos. E isso me confere estranha discrição.
Frida Kahlo, pintora.

Saramago não acreditava em “vida após a morte”, “reencarnação”, “céu”, “inferno” ou “purgatório”. Depois da morte, nada haveria. E, segundo ele, o ser humano teria de parar com essa concepção esperançosa de que “há um lugar para todos nós, quando deixarmos este mundo”. Eu, por outro lado, não sei exatamente no que acredito. A idéia de reencarnar me é bastante sedutora. O céu me parece entediante. Inferno não são os outros. Mas assusta-me a hipótese de não encontrar meu escritor predileto em outra dimensão. Se cada um de nós merece o local que, em vida, nos fora almejado (assim penso, às vezes), o que deve ser o “nada” descrito por Saramago? Será que ele habita este lugar? Quando eu for embora, ele me guiará?
Pura questão fatalista – o que combina comigo. Ainda estou a gargalhar dessas comparações literárias, na mesma proporção em que divago sobre o sentido da morte sobre a vida. É tudo muito confuso e pouco esclarecedor. Mas até aprecio essa completa ausência de convincentes explicações. Está no Cântico dos Cânticos: “o amor é forte como a morte”. É charme do mundo em tudo o que eu quero. O que nos consola é todo esse mistério.

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14 respostas em “Charme do mundo

  1. Vou discordar da galera: Não acho que você parece com Clarice não, hehe.
    E eu sou da turma que amo Clarice e Caio. Caio então tem um significado muito especial pra mim, porque era dele o monólogo inicial da minha cena em Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te amo.. A cena da viúva, nessa mesma peça, era feita toda em cima do “Fazes me falta”, da Inês Pedrosa!
    Nunca li Saramago, e pra ser sincera nem tenho vontade.. Quem sabe um dia.
    Beijos!

  2. Charme do mundo, é uma das minhas favoritas. Apesar de que a mais mais, é Acontecimentos. A voz da Marina é diferente, e me atrai tanto. Posso ouvir todos os dias.

  3. Vou contrariar você e dizer que não sou nem da turma da Clarice e nem da turma do Caio. Dela, já li uns dois livros, mas nada que me fizesse virar fã. E, dele, poxa, acho que o pessoal do Facebook me fez torcer o nariz pra ele um pouco, estão sempre citando, colocando imagens no mural com frases dele e coisas do tipo. Sou chata quando as coisas se transformam em modinha, vai entender. Talvez se Caio deixar de ser tão badalado eu me interesse mais por ele, gosto das coisas esquecidas.

    E gostei muito do que seu namorado disse, “você vive intensamente, interiormente”. Isso é bonito. Não acho que seja necessário sair por aí, escancarando sentimentos, pra viver de verdade.

    Como sempre, ótimo texto, Nina!
    Beijo!

  4. Ler você falando sobre livros só me fazem concluir que ainda tenho muito, muito, MUITO o que ler nessa vida e muito feijão pra comer, viu?
    Rola até um desespero.
    Perdoe o sumiço, a vida anda uma loucura bem chata.
    Beijo

  5. Lembro-me lendo A paixao segunda G.H…. clarice me tocou, e desde aquele dia, ela passou a fazer parte de minha vida.

  6. “Você vive intensamente, interiormente” – isso também serve pra mim. E sempre vivo me questionando o que me impede de viver mais intensamente aqui fora. Acredito que a vida não termina aqui, e é por isso mesmo que devemos desfrutá-la.
    Beijo, moça.

  7. Nina, tô babando deliciada nesse post: quantas dicas de leitura! Certo que vários autores citados eu conheço – lidos, incluindo A paixão segundo G.H, que li inteiro – e dois que conheço de nome: Kerouac (que eu não sabia que era mulher, detalhe) e Inês Pedrosa.
    Me interessei muito por Tristessa, vou procurar já.

    (Não sei a quanto tempo está usando essas cores novas, mas eu preciso dizer que elas estão um arraso, haha)

    :*

  8. Você exprime profundidade Daniele, em tudo o que experimenta. Não necessariamente demonstra, mas sente, no âmago de suas faculdades. Você tem um intelecto invejável. Desde cedo buscou alcançar muita coisa erudita. Ao navegar nas letras de tantos autores, você moldou em si uma mulher à frente. Ampliar a noção de mundo lhe fez um pouco mais segura, dia após dia, ms o peso de tanta informação, para a sua idade é o que te deixa um pouco órfã sim. Carregas no peito o charme de uma mulher, mas ao mesmo tempo lida com o lado menina que desponta nos teus cantos.

    Este teu modo de referenciar, de citar os autores, os gostos que cercam teus olhos, é uma maneira de sentirmos esta preciosa maturidade que avança aceleradamente em ti. É difícil suportar, quando você perceber ser sozinha neste mundo, sozinha no sentido de que há poucos que possam seguir o teu raciocínio tão bem quanto você mesma. Eu mesmo me perco. Mas me encanto, e busco entender bem todo o teu valor que expõe aqui.

    Você vive de mais e não de menos. Não merece morrer. Pelo contrário, viver e muito…

    Beijos de saudade… =)

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