Questão de gênero

Ontem estávamos em uma comemoração junina, numa casinha rústica (entende-se como muito mais jardim do que casa), conversando, entre todas as coisas, sobre como a cidade de Salvador, apesar de ser ponto turístico (sei), carece de atividades interessantes. Você conhece a cidade inteira em apenas um dia. Fato. Daí que o Rio Vermelho já foi um bairro interessante, também. Era um centro de entretenimento para os jovens daqui. Todo mundo se encontrava no Rio Vermelho. As melhores bandas independentes da cidade se apresentavam nas casas de show do Rio Vermelho (antes de ir para a MTV, diria Antonio Prata, se visse). Mas então, pouco a pouco, as atrações das casas de show foram diminuindo, se apagando e dando lugar a boates com temática gay. E hoje, quem sustenta o Rio Vermelho são os bi e homossexuais em geral. Absolutamente nada contra. Mas eu não me sinto muito bem em entrar numa boate gay (sendo casada) correndo o risco de sair de lá, acompanhada de outro indivíduo, provavelmente do mesmo sexo que eu. Assim vira bacanal também, ora.
Daí que estou lendo A Trama do Casamento, o romance mais recente de Jeffrey Eugenides. A última moda literária, por assim dizer. E ocorre que Mitchell, um dos personagens centrais, está em Paris acompanhado de seu amigo e a linda namorada dele, Claire. Acontece que Claire é mais uma daquelas feministas ácidas e radicais que habitavam a Europa na década de 80, século passado. Mitchell se sente atingido constantemente pelas indiretas de Claire. E isso fica mais exemplificado no trecho abaixo:

“A opressão masculina das mulheres não se referia só a certos atos, mas a toda uma forma de ver e de pensar. As feministas universitárias tiravam sarro de arranha-céus, dizendo que eles eram símbolos fálicos. Elas diziam a mesma coisa dos foguetes espaciais, apesar de que, se você parasse para pensar no assunto, os foguetes tinham a forma que tinham não por causa do falocentrismo, mas por causa de aerodinâmica. Será que um Apollo 11 em formato de vagina teria conseguido chegar à Lua? A evolução tinha criado o pênis. Era uma estrutura bem útil para certas tarefas.”

Em suma, não gosto de entrar em discussões de feminismo, considero o funk tudo, exceto uma forma de expressão liberal das mulheres (sem contar que é, no mínimo, vulgar); não apoio a falta de sentido das mulheres da FEMEN, mas admito seguir a Le Petit Alien no twitter (e acho que vocês deveriam fazer o mesmo).

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19 respostas em “Questão de gênero

  1. É sério que em um dia você conhece Salvador inteira? Ah Daniele, não é possível. Quando eu retornar aí quero este teu roteiro pra ver se realmente é o que tu diz *risos Em um dia? Impossivel… rs

    Quanto a feminismo ou mesmo machismo não entro também em discussões sobre, mas sabe, tudo tem limites. E algumas maneiras de expressar são absurdas, pra não dizer ridículas em total exagero.

    ps: Teu blog ficou realmente mais agradável. A leitura agora é mais ágil. Além de ter ficado lindo. Adoro templates minimalistas. Apesar de o meu não ser um… rs

    Beijo!!!

  2. Ah, menina, não entra em boate gay por que? Outro dia mesmo minha mãe foi convidada por uma amiga para irem, porque lá elas podem dançar sem serem cantadas por homens e se isso for feito por mulheres, só dizer. Tenho amigos que vão, e é de boa. Tem, nada a ver com estar casada ou não, aqui no Rio todo mundo vai a boate gay porque: 1- curiosidade, 2- algumas tocam músicas bem melhores.

    Quanto ao feminismo, feministas radicais assim, nunca conheci, só ouço falar. A maioria, aqui no brasil, não é nada assim. Criticamos muito mais comportamentos sociais e normas que construções fálicas, hehe. Dá uma olhada no blog Escrela Lola Escreva. A Lola escreve super bem. E no Blogueiras Feministas. Esse abrange vários temas, uma diliça de se ler.

    A Gabi é uma linda, todo mundo devia segui-la, mesmo. E seguir a @malu_mad, que além de falar de temas sérios, é uma linda e inteligente. (fala, Renata!)

    Nina, depois que vc espairece dessas coisas tipo “feminismo é uma ideia muito radical”, tudo descomplica. Feminismo é só a ideia de que tod@s dereveríamos ser iguais. :B

    Quanto ao funk: uma vez saiu uma reportagem na Superinteressante, dessas que não são a opinião da revista e sim de um convidade, falando que funkeiras são feministas, todas. Bem. Aí é outro ponto, não dirtia complexo, mas dá bastante papo. Porque de um lado homens sempre falaram através de músicas que querem comer etc, daí vem a funqueira dizendo “quero te dar” e choca o Brasil. Por outro, tem músicas que põe mulheres como objetos. Depende do funk. Não gosto do ritmo, mas acho graça nas músicas da Valeska. FALEI. HAHAHAHA

    beijos :**

  3. Dei uma passada em Salvador ano retrasado e conheci MUITA coisa de lá mesmo em um dia só mesmo hahaha, mas gostaria de conhecer mais, sabe? Foram passadas muito rápidas nos pontos turísticos. Tudo bem que não posso falar nada porque minha cidade, Aracaju (somos vizinhas, moça! :D) é um ovo de codorna e você consegue conhecê-la em uma tarde, mas tudo bem. :P

    Beijo! :)

  4. Uma coisa pode ser outra coisa, depende de como você olha pra ela, inclusive batidas sonoras. E como tem feminista feia nesse mundo, gezuis.

  5. Guilherme Antunes, pouco importa se a feminista é feia ou bonita, até porque feministas não se importam com isso. O que realmente importa para uma feminista são as atitudes, sentimentos e vontades de cada uma.

  6. sempre vou achar que feminismo é uma muleta pra justificar fracassos, e quanto mais leio sobre o assunto, mais me convenço e mais triste acho o negócio todo. mas talvez seja só a opinião de um machista convicto.

  7. Esse layout ficou bem melhor e mais organizado, devo dizer.

    Boate gay? Nossa, me sinto mal com esses locais. Quer dizer, de fato me sinto bem melhor com gays do que com héteros (menos frescuras, menos preconceitos), mas frequentar esse tipo de local é outra história… Prefiro meu quarto. haha
    Mas deve ser legal pra um turismo bem lá de vez em quando. :p

    “Será que um Apollo 11 em formato de vagina teria conseguido chegar à Lua?” – ri muito. hahaha
    Olha, eu sou feminista. Mas não sou daquelas extremistas, sabe? Sou daquela parte do feminismo que é anti-sexista: acho que cada um na sua, sem preconceitos nem nada. Mas esses extremos que se vê por aí (tanto em feminismo quanto em machismo) é algo que me ojeriza.

    Mas me interessei pra caramba pelo livro. Vou tentar achá-lo por aqui.

  8. querida, primeiro de tudo, fiquei contente pela sua resposta e pedido de retorno. no momento estou um pouco alto devido a umas cervejinhas com uma amiga. rs. e depois de conversar com ela, e explicar sobre uma possível mudança que estou planejando em relação a minha vida, a sua resposta veio muito a calhar, acredite.
    bom, entendi sobre o seu lance da possibilidade de sair acompanhada. e o que mais me tocou, além de uma identificação enorme foi o “um relacionamento aberto apenas para as possibilidades existentes dentro dele”, entendi e faço parte desse grupo, dos que de certa forma se anulam em função de uma chance com o outro (mesmo sabendo que esse outro não vale a pena, mas quem somos nós pra julgar, não é?).
    resumindo, não me senti ofendido, apenas quis entender, visto que o que você escreve soa muito interessante. foi apenas uma curiosidade.
    o detalhe é que, no meu ponto de vista, isso serviu para que a gente “se aproximasse”. se bem que grande parte do que você me falou entendi como uma confidência, e a minha ajuda não é possível em forma de palavras. a minha ajuda está no entendimento aqui, na minha cabeça.
    um beijo.

  9. Bem….vamos ver se eu peguei o assunto….Você começa falando que as boates de onde mora estão virando pontos de encontro gay. Ok, até eu ficaria um pouco assim como você [e nem sou casada].
    sobre o livro que está lendo….como você mudou de assunto ?! :’D
    Posso ser sincera com? Não sou feminista. Aliás, sou contra esses ismos impostos.O único que deveria existir era o humanismo.Pronto, acabamos com essa coisa de desigualdade da qual as mulheres se queixam (estamos em 2012 e ainda há esse tipo de pensamento?Alcançamos muitas coisas até aqui,oras).Mas,enfim,só o meu ponto de vista.

  10. é muito mau mesmo, estar longe da pessoa que amamos, mesmo que seja por meros minutos, mas custa sempre bastante ..

  11. muito obrigada pelo conselho querida. Segues? Não aparece… sigo de volta de qualquer forma! Abraço.

  12. Apolo em formato de vagina não teria chegado à lua, mas eu com certeza iria querer ver Rs
    Como uma das minhas melhores amigas é lésbica, eu não tenho nada contra homossexuais (contanto que não venha uma bicha dar em cima de mim). E acho sim o feminismo de algumas mulheres, no mínimo, bizarro. Elas são é obcecadas por pênis e não querem admitir. Haha brincadeira, só não acho que as feministas possam reclamar dos machistas. Não que eu seja machista. Na verdade, eu acho as mulheres melhores mesmo. Vocês tem peitos cara, já ganham a briga aí. Apolo em formato de peitos. Isso sim seria genial.

  13. Boates gays, feminismo e funk é questão pessoal, mas se as mulheres querem mudar o mundo, sua maioria está fazendo de forma errada usando o próprio corpo como objeto em suas letras musicais.

    Beijos.

  14. Só pra deixar claro pra quem não sabe:
    Feminismo não é a ideia de que a mulher é melhor. Feminismo é a ideia de que somos todos internamente iguais, independente de nosso sexo biológico. Quem acha que o feminismo é a ideia de que as mulheres são melhores que os homens, com certeza, andou faltando algumas aulinhas de história/sociologia/filosofia…

  15. Pingback: Banalização literária « Sobre Fatalismos

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