Fado tropical

“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!”
:: Fado Tropical, de Chico Buarque.

Estávamos na fila do banco (para pegar aquela ordem de pagamento básica, porque ainda não tive paciência para abrir uma conta) quando ele dissera ter reconhecido as lusitanas que aparecem por aqui, nos comentários. Não sei como fui descobri-las. Deve ter começado com a leitura de Os Íntimos, que me fez procurar Inês Pedrosa em uma rede social comum, seguido do fato de que este é o ano de Portugal no Brasil e os escritores de lá têm-nos conquistado cada vez mais, e então, em algum ponto no qual essas buscas colidiram, me apareceu uma adolescente de Coimbra que levara-me à todas as outras.
Nunca percebi tanto o fado português depois da leitura de muitos desses blogs. Não utilizam de gírias em seus textos, pelo contrário: captam um lirismo incomum, contido nas obras de Saramago e Lobo Antunes (até me faz ter vergonha daqui, me faz pensar em como nós, brasileiros, escrevemos mal). Muitas são Maria e Rita, Mafalda, Manuela Fernanda. Prezam por um design minimalista, raramente com imagem ao fundo, flores nos detalhes e moças solitárias de ilustrações. Antes do texto, vem a imagem. Músicas da década de 80 ou pop lusitano do século XXI também fazem parte do pacote. Sofrem de amor primeiro e não são emancipadas (quando comecei a escrever neste espaço, aliás, não foi muito diferente).
Eu me identifico com essas mulheres em estado de formação (e ebulição). Já tive quinze anos e escrevia porque estava apaixonada por um rapaz de minha escola. E o interessante é que, se você levar essa atividade de escrita adiante, como eu fiz, acaba por evoluir para outros meios: a literatura, por exemplo. Mas aos quinze anos, estamos predestinadas a imaginar que cada dia nosso é o último, e o amor verdadeiro pode-se esvair absolutamente, sem jamais aparecer de novo. Ledo engano. Você cresce, percebe que chegou aos vinte sã e salva, conhece alguém e ri de si mesma, aos quinze. Meu marido concluiu que, provavelmente, as portuguesas possuem um sentido de fidelidade no casamento mais puro, digno e tradicional do que quaisquer outras nações. Corrijam-nos se estivermos errados.
Eu quero dizer a vocês o que venho repetindo nos universos dessas meninas: vai passar (“com sorte / tudo será breve”, diria Marina Lima, se visse). Esse estado de espírito quase depressivo, para a nossa sorte, não dura a vida inteira. Outras pessoas virão para mostrar que nem tudo é eterno, a vida não é eterna, a felicidade é utópica, mas existe por períodos. E o que vejo nas entrelinhas da escrita de vocês é uma esperança cada vez maior, que não deverá se apagar repentinamente de todo. Vocês ainda são muito jovens. Há tanto amor para ser descoberto!

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Algumas raparigas de Portugal para vocês visitarem e se encantarem tanto quanto eu: MariaTiz, Sofia, Rita, Patrícia, Mariana e Mafalda.

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22 respostas em “Fado tropical

  1. Ah sim, acho que todas nós passamos por essa fase “do amor aos 15 anos”. É praxe, é lei.
    Fiquei curiosíssima para ver os blogs das gurias, tanto por eu andar numa sede desgraçada por novos blogs, quanto por curiosidade de ver o blog dessa Mafalda que tinha mesmo que ser portuguesa (ou ser de qualquer outro país na América Latina, exceto é claro, do Brasil) para ter esse nome. E antes de começar a comentar aqui, abri as abas dos links e enquanto escrevia isso já me bateu um desgosto porque algum desses links tem mesmo a maldita música que começa a tocar sozinha. E isso me irrita profundamente, pqp. Mas fui digna e apenas desliguei o som do computador. Vamos ver no que vai dar essas visitas o/

    E mudou o layout, eu acho isso lindo esse com a sidebar fixa, mas eu realmente amava as imagens que você usava no antigo^^

  2. Ah, faltou concordância quando falei do layout! USHAUHSAUHSAUSHU Quis dizer que acho esse lindo, com essa sidebar fixa. O_O

  3. Concordo, esses momentos dos nosso 15 anos que achamos que nunca passarão… Ah, passarão e passaram sem a gente perceber. Vou visitá-las, Nina. Beijos

  4. Acho que é assim: Todo mundo escreve aos 15 morrendo de amores por alguém. Quem gosta da coisa passa por essa época mas não para de escrever. Vou visitar os blogs que você linkou.
    Beijos!

  5. Fiquei interessada quando te vi twittando sobre elas. Vou lê-las!

  6. Mas eu tô correndo agoraaa para lê-las. Sou de família portuguesa e vivo encantada com o jeito que falam. Como você, tenho essa admiração (e talvez discreta vergonha) pelo modo encantador como eles escrevem. Vou ver se procuro também algo relacionado à Literatura… acabei de perceber que talvez o único português contemporâneo que realmente parei para ler foi Saramago.
    E amo! Beijoca

  7. Gostei muito do filme da Bela Junie, muitíssimo obrigada pela sugestão. :)

  8. e eu tenho de agradecer pela menção, para mim muito honrosa. de acto eu comecei a escrever quando, aos 14 anos a pessoa de quem gostava não estava muito para aí virada. agora tenho quase 17, e aqui continuo eu, a escrever porque assim consigo pensar melhor e agir de forma mais clara. muito obrigada, de novo, pela menção!

  9. Nossa, você foi CERTEIRA ao falar sobre essa “depressividade” aos 15 anos! Todo adolescente passou por isso, meninos ou meninas. Eu fui um desses,admito. Mas usei essa depressão para o bem: foi nesse período que eu comecei a escrever de verdade. E se eu posso dar um conselho pra galerinha que tá passando por isso, faço minhas as suas palavras: vai passar. Não se preocupem. “A felicidade é utópica” – levo pra vida. hahahaha Beijo! Ótimo texto!

  10. o lirismo que vale é o lirismo da rua e dos loucos, não o recatado e embalsamado. sou muito manuel bandeira nisso. mas esse lirismo é alcançável a qualquer idade e a qualquer tema.

  11. Lembrei de alguns blogs portugueses que eu costumava visitar.E você captou bem a ideia. Na maior parte deles há uma música tocando ao fundo (apesar de não apreciar, notei que tem muito a ver com o clima do blog), e temas minimalistas. E elas escrevem bem,sim, e sobre sentimentos.

  12. Como é que eu não reparei antes neste texto? Sou tão distraída!
    Você aqui me divulgando e eu sem saber de nada. foi agora uma das outras raparigas que me mostrou. Eu fiquei realmente radiante, nunca pensei que um dia isto fosse acontecer. É muito bom sermos reconhecidas assim desta forma. E eu espero que todas as outras pessoas que visitarem o meu Blog graças a esta sua divulgação gostem tanto quanto você :)
    Fico muito agradecida!

  13. Meu deus e como eu me sinto orgulhosa, agradeço tanto tanto por isto! Nem sei como explicar! Estou muito grata. Dá-me força para continuar nesta corrente da escrita, neste mundo tão bonito que podemos moldar com palavras.
    Mais uma vez obrigada (:

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