Como ser você

Daí que olhei para a capa do dito cujo e constatei: “bah! Auto-ajuda para mulherzinhas!”. Uma semana depois, após ter colocado no lugar todos os livros que estavam espalhados em meu setor, decidi ler o enredo deste. No maior estilo “nada a fazer”.

“Nunca houve época melhor para ser mulher. Nós votamos, temos a pílula, estamos no topo das paradas musicais, somos eleitas presidentes e primeiras-ministras, e não somos acusadas de bruxaria e queimadas desde 1727. Entretanto, algumas perguntinhas incômodas persistem:
– Os homens no fundo nos odeiam?
– Como devemos chamar nossos peitos?
– Por que as calcinhas estão ficando cada vez menores?
– E por que as pessoas insistem em perguntar quando vamos ter filhos?”

E, na outra orelha, eis que me deparo com a foto da autora:

Caitlin Moran, jornalista e escritora britânica.

Eu já tive uma mecha do meu cabelo daquela mesma cor, branca. E, num livro cuja capa e conteúdo pareciam divertidos, porém, nada atraentes, eu tinha que me identificar com alguma coisa.
Capa da edição brasileira de Como Ser Mulher, pela editora Paralela.A surpresa aconteceu quando abri a obra. Afinal, essa não é mais uma história de Carrie Bradshaw, nem de uma feminista absurda que tira a roupa para “protestar” e depois reclama que não é a vestimenta ou ausência dela que provoca o estupro (por favor, né?). O livro Como Ser Mulher, da jornalista britânica (e celebridade) Caitlin Moran, começa com uma adolescente de treze anos em 1988 correndo de uns garotos malvados da sua rua – e é o dia do seu aniversário.
Enquanto os ditos “delinquentes” esbravejam “moleque” e “esquisita”, nos deparamos com um cenário incomum: Caitlin mora com mais sete irmãos – sendo ela a mais velha. Sua família é completamente esquisita: a mãe, uma hippie que não acredita em remédios para a cólica ou desodorantes – “são cancerígenos”, ela diz. O pai, um homem que aprendeu a ignorar as intimidades das filhas mais moças. Os irmãos e irmãs, odiando-se e unindo-se absurdamente quando necessário. Esse é apenas o prólogo da história toda. Teremos ainda onze capítulos cujos títulos terminam em exclamação e mais cinco sobre assuntos muito sérios a serem discutidos atualmente.
Pouco tempo depois desse aniversário traumático, Caitlin tem sua primeira menstruação – algo que ela tenta esconder, pois não deseja crescer. Para a garota, isso era o marco do fim de sua infância. E ela não compartilhou sozinha desse infortúnio. Sua irmã, Caz, também precisou passar por isso.

“‘Eu nem quero ter um filho’, Caz diz. ‘Não vou tirar absolutamente nenhum proveito disso. Quero que todo o meu sistema reprodutivo seja arrancado fora e substituído por pulmões, para quando eu começar a fumar. Quero ter essa opção. Isso é inútil’.”

Beirando o absurdo das mais diversas situações, nossos femininos problemas atuais, claro, são lidados com muito humor. Eu, particularmente, não gosto sequer de fazer as sobrancelhas, mas também não sou nenhuma Malu Mader, por sorte. Mas imagina ter de passar por isso só por causa de um homem:

“Caramba, por que ele simplesmente não me liga agora e diz: ‘Rachel, está a fim de dar uma antes do café sábado?’. Não dá para fazer meu orçamento direito com todos esses fatores aleatórios de sexo na semana. Não é para menos que todas as garotas são oferecidas hoje em dia. Mesmo que você não goste de ninguém na festa, vai querer algum retorno da depilação. Detesto meus pelos.”

O livro promete ser “um divertido manifesto feminino”. E cumpre com essa afirmação,, apesar das frustrações sofridas pela autora, em meio ao seu período de descobertas. Sinceramente, no quesito “será que sou feminista?”, nunca quis obter uma resposta óbvia, pois as feministas de hoje fazem do assunto algo desnecessariamente radical. Prefiro ficar em cima do muro. Defendo até onde a sanidade pode ir, mas também não me inspiro a caminhar de salto alto na Marcha das Vadias. É então que a Caitlin propõe um teste simples e rápido para sabermos se somos ou não feministas:

“Mas é claro, pode ser que você esteja se perguntando: ‘Será que eu sou feminista? Talvez não seja. Eu não sei! Até hoje, não sei o que é isso! Sou ocupada e confusa demais para conseguir entender. Aquela cortina realmente ainda não está pendurada! Não tenho tempo de parar para entender se sou à favor da liberação feminina! Parece envolver muita coisa. O QUE ISSO SIGNIFICA?’.
Eu compreendo.
Então, eis uma maneira rápida de ver se você é feminista ou não. Enfie a mão na calcinha.
a) Você tem vagina?
b) Quer ser dona dela?
Se respondeu ‘sim’ às duas perguntas, então, parabéns! Você é feminista.”

Caitlin Moran, e sua bela e significativa tatuagem.

Só que o interessante é que a autora também zomba dos arquétipos femininos que se utilizam do movimento feminista, apesar de negá-lo em sua existência:

“É por isso que aquelas colunistas do Daily Mail – que falam mal do feminismo todos os dias – me divertem. Você recebeu 1,6 mil libras por isso, querida. E aposto que foi para a sua conta do banco, não para a do seu marido. Quanto mais as mulheres argumentam, em voz alta, contra o feminismo, mais elas provam que ele existe e que elas se aproveitam dos privilégios conquistados a duras penas.”

Importante é saber que também temos culpa nesse machismo todo. Afinal, quantas vezes a fraqueza humana e submissão nos impediram de ir adiante?

“A maior parte do machismo se resume ao fato de que os homens estão acostumados com as mulheres perdedoras. Esse é o problema. Só temos um status ruim. Os homens estão acostumados com as mulheres ficando sempre em segundo lugar ou nem isso. Foi assim que os homens que nasceram antes do feminismo foram criados: com mães que eram cidadãs de segunda categoria; irmãs que precisavam se casar, colegas de escola que iam estudar secretariado e depois se tornavam donas de casa. Mulheres que se anulavam. Desapareciam.”

Não é fácil ser mulher. Ou tornar-se, como dizia Simone de Beauvoir – e Caitlin utiliza essa frase como exemplo, logo no início da trama. Mas, apesar de muitas conquistas, da futilidade atual e das feministas radicais – problemas mínimos que parecem vários se multiplicam ao longo de nosso cotidiano. Não é fácil crescer. É difícil aprender a ser inteligente, graciosa e ter de se equilibrar em um salto 15 – embora essa virtude não nos sirva para nada em absoluto.

Caitlin Moran, em ensaio fotográfico.

“Não sou idiota – sempre soube que a diferença entre modelos e mulheres normais é que as mulheres normais compram roupas para ficarem bonitas; já a indústria de moda compra modelos para fazer as roupas ficarem bonitas. Certamente elas não me serviram em nada. Não pude fazer nada com aquela merda. Eu nem conseguia ficar reta em cima dos saltos.”

Bacana como o mundo mudou de Jane Austen para cá. No século XVIII (e bem antes disso também), claro estava que as mulheres não tinham oportunidade sequer de serem representadas em um romance como heroínas com capacidade de pensar – e muito bem – com relação ao seu futuro. Tá certo que o objetivo da família Bennet era fazer com que as filhas se casassem com ótimos partidos. E Elizabeth não estava fora desse pensamento. Casar? Tudo bem. Mas com quem?
Hoje ainda sonhamos com o Príncipe Encantado – mesmo sabendo que ele talvez tenha muito mais de sapo. Mas o pacote de defeitos que o acompanham torna a convivência única. E válida.
Quero dizer que mulheres são mulheres, não importa o quanto o tempo passe. Ainda demoramos a escolher a roupa ideal para ir ali à esquina comprar pão. Sim, talvez a futilidade esteja enraizada em nosso conteúdo. Entretanto, provavelmente não somos tão diferentes assim dos homens – esses seres marcianos que veem graça em outros homens correndo atrás de uma bola e que gostariam que suas vidas fosse uma propaganda de cerveja.

“Porque, apesar de todas as pessoas que tentaram abusar e destratar do feminismo, essa continua sendo a palavra de que precisamos. Nenhuma outra serve.
E vamos encarar, nunca existiu outro termo, além de ‘girl power’ – que faz parecer que você é ligada a algum ramo da cientologia liderado pela ex-Spice Girl Geri Halliwell. O fato de ‘girl power’ ter sido o único rival da palavra ‘feminismo’ nos últimos cinquenta anos é motivo de pena. Afinal de contas, P. Diddy tem quatro nomes diferentes, e ele é só um homem.”

Para cada temática, um tom diferente. Nunca pensei em como deveria chamar os meus seios, mas gastei muito dos meus neurônios tentando enfatizar a importância do aborto. Caitlin me resume:

“São essas crianças infelizes e não desejadas que crescem e se tornam adultos raivosos, que causam a maior parte das desgraças da humanidade. São elas que fazem os Estados parecerem ferozes; as ruas, perigosas; os relacionamentos, violentos. Se a psicanálise colocou a responsabilidade pelos distúrbios psicológicos na conta dos pais, de maneira um tanto brutal, o mínimo que podemos fazer é tirar o chapéu para as mulheres que têm consciência suficiente para não criar essas pessoas problemáticas, para começo de conversa.”

E ela própria – mãe de duas meninas – entra em contrapartida com o que acabou de dizer:

“A narrativa é a seguinte: apesar de a mulher poder dizer para si mesma, racionalmente, que não tinha como criar aquele bebê, haverá sempre uma parte dela que não vai acreditar nisso – que segue em frente em silêncio, acompanhando o bebê que deveria ter vindo. A mensagem é que o corpo das mulheres não abre mão de seus bebês assim com tanta facilidade, nem de modo tão silencioso. O coração sempre vai lembrar.”

Caitlin manifesta sua indignação quanto ao fato de que jornalistas sempre perguntam quando as mulheres terão filhos. Como se realmente fosse necessário saber se uma executiva de sucesso ou uma diva do pop (Lady Gaga, por exemplo, figura importante no livro, a autora passa um dia inteiro com a cantora) precisará algum dia realizar esse “sonho” exclusivamente feminino. “Nunca me pediram para fazer isso com um entrevistado homem. Você nunca tem que perguntar a Marilyn Manson se ele vai à loja Jojo Maman Bébé, pegar os sapatinhos e ficar chorando”.

“Toda mulher que escolhe – com alegria, reflexão, calma, por livre e espontânea vontade e de acordo com seu desejo – não ter filho faz um enorme favor a todas as mulheres em longo prazo. Precisamos de mais mulheres que tenham permissão de provar seu valor enquanto pessoa, e não serem avaliadas apenas de acordo com seu potencial de criar novas pessoas. Afinal de contas, metade dessas novas pessoas que criamos também são mulheres, e presume-se que elas mesmas serão julgadas, no futuro, por não fazer novas pessoas. E assim a coisa segue em frente…”

Enfim, esse é um livro que vende por si só. Um dos meus clientes de livraria vive repetindo que  A Visita Cruel do Tempo, da Jennifer Egan, é o tipo de livro que toda mulher deveria ler. Ainda desconheço a obra de Egan, mas Caitlin Moran (minha nova musa, estreou o meu tumblr de citações) conquista mulheres em formação e homens com o intuito de conhecer esse universo, deixando de lado seus preconceitos e abraçando a causa da autora, de viver sempre alerta, mas com diversão. Se você, assim como eu, não se considera nenhuma especialista na temática feminista – e nunca devorou a literatura da frágil esposa de Sartre, vai gostar dessa obra que satiriza o lado radical do movimento, sem deixar de perder sua essência. São ritos de passagem narrados sob uma perspectiva dinâmica. Cada capítulo como uma lição de extrema importância – não apenas para o que queremos ser – mas principalmente para o que já somos.

“O rosto de uma mulher é seu castelo." - MORAN, Caitlin.

“O rosto de uma mulher é seu castelo.” – MORAN, Caitlin.

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26 respostas em “Como ser você

  1. “Defendo até onde a sanidade pode ir, mas também não me inspiro a caminhar de salto alto na Marcha das Vadias”.

    Me defino assim também. Nunca havia parado pra pensar sobre feminismo até ler Simone de Beauvoir. Mas navego com cuidado em alguns universos, embora minhas reflexões sejam fortemente feministas.

    Muito boa sua análise! gostei e me deu muita vontade de ler o livro, acho que vou em busca.

    Beijos!
    Lyra.
    http://www.meninalyra.blogspot.com

  2. Muito bom, Nina. Fiquei interessada na leitura. ;)

  3. Eu me considero feminista desde que comecei a ser barrada das brincadeiras que os meninos faziam, quando eu tinha só 12 anos. Por anos fui uma criança estressada com as injustiças diárias entre homens e mulheres e realmente nunca entendi o motivo de tanta discriminação com as detentoras de vaginas. Hoje, com 21 anos, já sou um pouco parecida com Caitlin – sou feminista e me divirto com isso. Não surto mais nem tento mudar o mundo de um dia para o outro, mas não deixo de acompanhar uma passeata aqui e acolá. Ontem mesmo fui na livraria e fiquei por alguns minutos lendo trechos do livro. A capa colorida me chamou a atenção, mas acabei levando um clássico que ainda não tinha lido. A sua discussão semeou aquela vontadezinha de ler o livro todo e tirar minhas conclusões. Gostei dos trechos que você selecionou, e as expressões das fotos são muito boas (visualizei lá no tumblr e já tou te seguindo).

    Beijo, Nina ^^

  4. Mais um livro que quero ler (não consigo te acompanhar! ahaha)

    Parece super divertido e uma leitura necessária pra toda mulher.

    Bjs Nina

  5. Rapidamente: tu tá lendo o meu livro PREFERIDO. ♥

    Eu vi essa capa e tive o mesmíssimo preconceito pelos primeiros 15 segundos. Mas confesso que não abri pra ler a orelhinha. Mas parece que o livro faz uma abordagem totalmente moderna, sem apelações literárias com frases de efeito previsíveis. Parece algo que eu leria e diria “achei válido, validíssimo!”

    Ou, como tu vai ler no livro do Murakami:

    “Certo?

    Certíssimo!”

  6. É certo que teria essa mesma atitude inicial de rejeição. Meu nariz já os encara torcidos antes de qualquer contato (preconceito, provável). Não gosto de auto-ajuda nem de jogadas feministas radicais, apesar de já ter sido chamada de, algumas vezes.
    Tai uma resenha sobre que me foi útil e de certo modo quebrou alguns conceitos negativos. Vou anotar o titulo e talvez o leia, no futuro.

  7. Então, após ler O Mito da Beleza, de Naomi Wolf, acho difícil eu curtir qualquer outro livro sobre o assunto. Mas mesmo assim continuo curiosa pra ler a respeito do ponto de vista da dona Moran!

  8. Que resenha maravilhosa! Adorei!
    Comecei a ler esse livro recentemente, mas ainda estou no comecinho. Nunca li nada sobre feminismo, além do que a gente vê nos meios de comunicação e a forma como Catlin Moran fala sobre o assunto é muito divertida e completamente diferente daquela coisa radical e, por vezes, chata que a gente imagina. Estou gostando demais :)

    Aliás, adoro o seu blog…sempre vejo o que tem por aqui, mas nunca comentei. Parabéns pelo espaço!

    Beijos e boa semana,

    Michas

  9. Genial! Se eu fosse levar em consideração a capa e o nome do livro, com certeza teria as mesmas opiniões que você citou no início. Mas sério, não sei o que é melhor: a ideia do livro ou a sua resenha tão bem feita. Com certeza vou lê-lo e volto aqui pra te contar o que achei!
    Beijos.

  10. Adorei!
    Não sou feminista, acho eu. Só fico na parte da mulher “mulherzinha”, mesmo… Viver a essência de cada gênero é suficiente, penso eu.
    Enfim, fiquei com vontade de conhecer o trabalho dela… Até achei engraçada algumas observações… Acho que vou procurar, sim!
    Beijos!

  11. Caramba… Comecei a ler o início do post achando que ia dar uma paradinha pra beber uma água, olhar alguma outra coisa no computador, mas não consegui desgrudar os olhos do início ao fim.
    Adoro livros divertidos, e as vezes eles são necessários depois de uma daquelas histórias “pesadas”.
    Fui pensando tanta coisa enquanto lia suas percepções e os trechos do texto que fiquei super curiosa pra ler! Vou incluir na minha listinha de desejados agora! =]
    Beijo!

  12. O discurso feminista radical é tão cheio de contradições que cansa e aliena. Que bom ver uma vertente mais bem-humorada e auto-reflexiva do feminismo!

  13. Essa coisa de “aprender a ser inteligente, graciosa e ter de se equilibrar em um salto 15”, enfim, ser mulher, realmente dá muito trabalho… rsrs
    O livro parece falar disso de um jeito bem bacana, e pelo seu post deu muita vontade de ler!
    Ah, e curti bastante o seu espaço aqui. Vou voltar mais vezes! =)

  14. AINDA BEEEEEEEEEEEEEEEEEEM que o mundo mudou depois dos tempos da grande Jane, porque nós temos sim o direito de falar, de ESCREVER! E essas feministas baratas não estão protestando, e sim querendo exibir o corpo. Ou então, tem uma mente muito pequena para protestar do jeito que protestam.

    Bem, acho que a DEMOCRACIA brasileira não passa de fachada mesmo, infelizmente!

    Tem post novo no blog! Quando puder, não deixe de visitar. O tema é minha opinião sobre as crianças de hoje em dia, haha.

    Bjos e boa quarta, hein?

  15. acho q a questão nem é entre homens e mulheres. é entre seres humanos. é preciso ter isso mto claro pra ñ incorrer num discurso sexista e raso.
    e acho q todo livro, toda forma d expressão que coloque em questão essa nossa natureza humana, que nos faça debater sobre algo útil, acho q vale à pena. o importante é o debate, as idéias e experiências novas que vão surgindo. afinal, o q nos resta na vida senão a experiência que temos nela? ñ levaremos nossas idéias pro caixão.
    temos tb que agradecer a mtas que tiveram a coragem d ficar nuas e queimar o sutiã em praça pública enquanto outras se cobriam de roupas e hipocrisias… ás vezes é preciso ser ousado pra questionar. outras vezes, apenas o silêncio é suficiente. cada um faz o q pode.

  16. me parece muito melhor e mais consciente que tudo que as feministas pregam por aí. porque quando eu caio em algum blog feminista radical tenho tanta vontade de morrer como quando eu vejo um defensor do psdb.
    levar essa feminilidade e busca por direitos necessários com humor e sutileza parece um ótimo meio.

  17. Venho lendo seu blog há algum tempo, mas nunca tive coragem para opinar por aqui. Sempre escrevia alguma coisa e acabava, em seguida, apagando, por achar meu comentário desnecessário (tenho esse complexo). Esse post, enfim, me deu um empurrãozinho.
    Impressionou-me muito a forma como você descreveu sua posição em relação ao feminismo, pois é exatamente como a minha! Também sempre fui indiferente ao tema, provavelmente, por procurar fugir dos radicalismos, que muitas vezes me incomodaram, tão frequentes nas ditas feministas. Inclusive, passei por uns perrengues na época da “Marcha das Vadias” que aconteceu aqui em Aracaju, por ser a única da turma a não ir haha.
    Ótima análise, me instigou bastante a conhecer a obra de Caitlin e a refletir, finalmente, sobre minha posição. Gostei, principalmente, do tom que ela utiliza, fazendo com que a leitora passe a refletir sobre um tema tradicional de um forma nada tradicional.
    Imagino como deve ser fantástico pra uma rata-de-livros trabalhar em uma livraria! Invejinha branca!
    E, enfim, parabéns pelo blog.

  18. Sempre me senti feminista, sabe. E pode parecer muita hipocrisia de minha parte, mas tenho que admitir que isso foi antes da Marcha das Vadias. No começo, eu até achei a ideologia bacana, porém, confesso que não me causou boa impressão vez cartazes rabiscados com slogans do tipo “Minha buceta é poder”. Existe uma mensagem implícita, óbvio, mas, na boa, o sentido literal dessa frase me desgosta de qualquer tipo de ironia que possa ser subentendida. MEU PODER NÃO TÁ NA MINHA BUCETA, PORRA! Ou pelo menos, não só nela. Hoje em dia me considero mulher, e só, com minha ideologia própria, que me permite concordar e discordar de certos aspectos do feminismo. Afinal de contas, existem 86 hormônios agindo ao mesmo tempo no corpo de cada mulher viva no planeta, e não há uma filosofia/ideologia capaz de satisfazer as expectativas de todas elas. Acredito que a autora soube explorar esse lado confuso da mulher contemporânea (ou atemporal (?)) muito bem. Lá vai mais um pra minha pilha de leitura.

    Beijos, boa semana!

    ps: O blog é muito bom! Sério, você escreve divertidamente bem.

  19. Adorei a temática do livro! Não sou nenhuma feminista, às vezes acho o feminismo um saco na verdade rs
    Vou procurar esse livro para ler, com certeza!

  20. O meu lado feminista andava meio adormecido. Mas, há uns meses, quando um amigo meu falou que uma coisa que eu tinha compartilhado era machista, voltei a me tocar para a causa. Tenho conversado sobre isso com uma amiga que adora o tema e senti que esse texto chegou na hora certa pra mim. Fiquei muito a fim de ler o livro, acho que ele vai até furar a fila =P

    Bjos!

  21. A descrição da mãe do livro é EXATAMENTE a minha mãe, quando eu era pequena. O lance de dizer que é cancerígeno, principalmente! Ri sozinha aqui e encaminhei o texto para minha mãe.

    Eu também gostei bastante do teste prático pra saber se eu sou feminista, rs. No caso, eu sou XD.

  22. Pingback: Retrospectiva literária 2012 | Sobre Fatalismos

  23. “nem de uma feminista absurda que tira a roupa para “protestar” e depois reclama que não é a vestimenta ou ausência dela que provoca o estupro (por favor, né?)”
    Nossa, mas que frase machista para um texto desse, vc tem ainda que aprender muito sobre feminismo criatura.
    Quer dizer agora que homens tadinhos, “atacam” por instinto? Que não sabem o que fazem e agem como animais irracionais ao primeiro pedaço de perna que aparece na frente deles? Se estupro fosse culpa da roupa, ele não aconteceria com mulheres que andam de burca, fardadas no exército, ou com meninas dentro da própria casa.
    Uma pessoa que força a outra a transar, e ainda insiste com a outra pessoa resistindo e gritando, e precisa de uma faca ou arma para que ela “deixe” sabe muito bem o que está fazendo, dane-se a roupa. Ninguém tem direito de te usar porque ficou excitado.
    Eu não andaria pelada numa marcha das vadias, mas o que elas querem é chocar e tentar fazer gente que nem vc refletir. Mulher mostrar os peitos só na playboy para homens baterem punheta, na rua por vontade própria é absurdo. Homem bota o pau pra fora da calça e mija onde quer, e se vc olhar é uma piranha.
    Será que mulher tem punição por mostrar o corpo e homem não? Se vc andar de saia curta na rua, quem está correndo perigo? Você, por ser mulher. Se um homem andar com o pênis de fora na rua, quem está correndo perigo? Ele? Não, é você de novo, por ser mulher.
    Não estou querendo dizer pra todos andarem nus na rua, mas que eles fazem o que querem com o corpo, nós não. Inclusive não só com o corpo deles, mas com o nosso, e vc está perpetuando isso culpando a mulher por estupro, que é o único crime onde a vítima é esculachada. Assalto, assassinato, sequestro é sempre culpa do criminoso, mesmo que vc estava num local onde sabia que não deveria estar, a culpa é sempre do criminoso, não sua.

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