Ouvindo distopias

Desde que iniciei o hábito da leitura de distopias, as músicas do grupo System Of A Down nunca mais foram as mesmas. Música em tudo faz par com a literatura, embora eu deteste ouvir enquanto escrevo. Mas quando leio alguma coisa, quase que imediatamente faço uma ligação entre a obra e alguma canção, componho uma trilha sonora.
Para quem não conhece (acho difícil), o System Of A Down é um grupo armeno-americano de rock (defina:) bem pesado. E suas canções trazem uma carga muito forte da política e da sociedade.
O primeiro videoclipe que vi deles, se não me engano, foi Chop Suey. Achei fantástico o modo como o Serj Tankian (vocalista) fazia caras e bocas. Suas expressões lembram a de um louco terrorista, eu sei. Mas eu daria uns pegas nele.

Serj Tankian, vocalista da banda System Of A Down e... o cara!

Serj Tankian, vocalista da banda System Of A Down e... o cara!²

Chop Suey acabou tornando-se uma de minhas músicas prediletas. E lembrei muito dela quando estava lendo 1984, de George Orwell (embora hoje ela tenha muito mais a ver com a última distopia que li – e resenhei: A Idade dos Milagres). Mas, antes disso, Toxicity, outro sucesso, me fez pensar nos trechos mais incendiários de Fahrenheit 451. Sugar para Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva. Psycho para Admirável Mundo Novo. E por aí vai.
Yann Tiersen, por outro lado, entrou na minha vida da maneira mais óbvia: através do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Esse gênio fez a trilha sonora para uma película tão genial quanto. Logo, fui procurar tudo que o rapaz havia feito. E me deparei com diversas versões para uma mesma música: La Crise.
Estranho como La Crise condiz com as fugas de Winston, em 1984. Ou em como a vida de Julia mudou depois que Seth Moreno percebeu que ela existia, n’A Idade dos Milagres. Também pode ser o tema dos questionamentos significativos de Clarissa, em Fahrenheit 451. Ou posso pintar a Avenida Paulista de vermelho, como em Blecaute, enquanto a ouço. Músicas do Yann Tiersen, como Summer 78′ (tão grandiosa), também aqui presente, são tão distópicas e dão tanto medo quanto, sei lá, filmes do Lars Von Trier ou relógios derretendo n’A Persistência da Memória, de Dalí:

 A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. Na minha opinião, seu quadro mais instigante.

Mas o que considero como um “hino distópico” até hoje é a linda composição de Lenine: O Último Pôr do Sol, que faz parte da mixtape abaixo, para ouvir antes que o mundo acabe.

Capa da mixtape Ouvindo Distopias.Escute a trilha sonora do fim dos tempos clicando aqui.

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26 respostas em “Ouvindo distopias

  1. Nunca tinha parado para ouvir direito essa música de Lenine e nem tinha prestado atenção da letra. Nossa, obrigada por isso hehe :)

  2. Quando tu começou falando sobre System Of A Down e o Serj com suas caras e bocas em Chop Suey, eu já fiquei toda animadinha. Adoro o som deles! Daí resolvi ouvir a mixtape e, bem, estou adorando. Entrou para as favoritas.

    Beijo!

  3. Também sempre faço essa ponte entre o que estou lendo e uma música. Já estou ouvindo a trilha sonora do fim dos tempos!
    Acho que você deveria fazer alguma coisa voltada para a literatura, como eu. A única coisa que eu não estou muito feliz com letras é a parte da gramática – acho um pouco complicado – mas, sei que para escrever, devemos entender sobre a língua, né?
    Eu sou muito metódica com meus planos, nem saberei o que fazer se o acaso resolver aparecer hahaha se ele aparecer, que seja para o bem, sempre!

  4. Engraçado você falar disso justo hoje porque ontem mesmo decidi por no blog uma ideia que eu eu tinha faz tempo: a de misturar música com literatura. Como você, quase nunca consigo escrever enquanto escuto, mas estou sempre criando um milhão de histórias para cada música ouvida. Espero que você curte as coisas por lá.

    E eu nunca ouvi System of a Down de verdade, mesmo conhecendo. Nunca parei tipo: ah deixa eu ouvir. Acho que está na hora de fazer isso. Vou provar da sua mixtape.

    Beijoca

  5. massa!

    me lembra quando eu e cristiano – vc lhe conhece -, há anos atrás, após um bom mergulho na baía de todos os santos, conversávamos sobre a geometria das frutas; cada uma com sua medida.

    vc está cada vez mais imagética, holística.

    bacio and aloha.

  6. nada melhor como música para acompanhar uma boa leitura, eu gosto até de escrever ouvindo música, me sinto inspirada é muito bom! Mas não sou muito fan de rock pesado, apesar de ter me habituado a ouvi-lo de vez em quando porque muitos amigos gostam! hehehe

    Ah li o post anterior, hehehe achei sua resenha bem legal, já vai para minha lista de leitura! hehehe

    bjss

  7. Prendeu minha atenção assim que vi o nome System of a down. rsrs
    Esse é um dos meus grupos favoritos.
    Não tinha visto essa canção de Lenine, mas curti bastante.
    P.S.: Acho que vou adotar essa ideia de ler ouvindo música a partir de agora.

  8. Eu adoro system . Você falou que é um rock pesado, mas perto de alguns de hoje em dia, nem é tanto. :b

    Viu , te coloquei na minha listinha de blogs, hoje que fui ver, eu não tinha te colocado :b

  9. Adorei a lista. Só não ouvi System of a down porque não são do meu gosto, mas as outras eu adorei. Legal isso de você relacionar histórias com músicas :)
    Beijos, Cat.

  10. Nina, nunca tinha pensado nisso, mas agora, depois do seu post, percebi que faz muito sentido: System Of A Down tem muita cara de fim do mundo!
    Quando eu era mais nova eu morria de medo deles, sabia? Não era bem um medo, era uma afliçãozinha. O Serj tem um timbre de voz muito singular e expressivo e lembro que sempre ficava atordoada quando passava algum clipe deles na MTV. Não é exatamente o meu tipo de música, mas achei a associação bem interessante.
    Beijos!

  11. uma das minhas músicas preferidas é essa aí do lenine!
    e sim, soad tem muito a cara do final do mundo. tenho certeza que quando tudo acabar, vai sr chop suey no último volume!

  12. Adoro System! E também tenho algo com distopias… acho que é genético, embora minha mãe goste ainda mais por motivos históricos rsrs
    O único motivo pelo qual gosto de ler ouvindo música é que consigo me concentrar na leitura (então geralmente tem de ser músicas que não consigo cantar, senão foco na música…) gostei da lista que vc fez, vou conferir sua resenha depois! :D

    Adorei o template do blog! :D (não sei de quando é… mas faz tempo que não consigo entrar T_T)

    Beijos.

  13. Taí uma coisa que preciso fazer diz desses: uma mix tape. E oh, acho System of a Down digno de ser ouvido. Tempo que não faço isso, aliás.

    Beijo, moça.
    Saudade de ler seus escritos.

  14. Eu na sinceridade não me sinto confortável com rock pesado, gosto mais do rock clássico, indo ao folk e alternativo. Mas System of a Down é realmente uma banda marcante, e mesmo que você não goste de Heavy, conhece Chop Suey.

    Eu adoro os efeitos da música na gente, eu também idealizo e imagino muitas coisas quando estou ouvindo música, e meu fraco são trilhas sonoras. Viajo muito ouvindo trilhas, imagino muitas coisas, associo a outras.

    Adoro seus textos!

    http://www.dedilhar.com

  15. Essa banda de rock para mim era puro política… nem imaginei literatura no meio dela.
    Passei para ler você! ~.~
    Kiss

  16. Fantástico como consegues conectar as coisas.
    Eu sempre adorei SOAD, mas encaixá-lo numa trilha sonora literária nunca havia me ocorrido, apesar das diversas viagens que as músicas nos permitem!
    Lenine tira a gente pra refletir, adoro as suas canções!
    Ah! E a trilha de Amélie, Oh God! É uma verdadeira obra prima ♥

  17. Chop Suey foi uma das primeiras músicas que ouvi do System, não sou muito de ouvir o som deles, mas gostei da trilha sonora para distopias ><

    Beijos

  18. A lista das músicas começa com Help! Eu gosto muito dessa música porque meu pai ouvia comigo na infância. Sabe, dá aquela sensação de nostalgia e tudo mais. Eu gosto disso.

  19. Quando há, até faço essa relação da obra com uma canção, mas na maioria das vezes não. Sou do tipo de ler no silêncio. Eu mais viajo do que escuto, muito embora existam leituras que são sonantes a ponto de me fazer ouvir a melodia das letras escritas.

    Bem, não faz o meu estilo músicas o estilo de System of a Down, mas é interessante essa relação que a música pode causar, este efeito que surte no íntimo da gente. É algo magnífico…

    Beijo querida.
    Uma linda semana pra ti.

    =)

  20. System foi uma das primeiras bandas que eu gostei, de verdade. Bate uma nostalgia boa, sabe? Dos bons tempos de menina adolescente. ;)
    E levo a música comigo para qualquer lugar. Sou eu e ela, como amigas.
    Beijinhos!

  21. “O Último pôr do Sol” é uma canção extremamente linda, que me deixa sensível e pensativo. Fiquei excitado quando encontrei este post sobre distopias, pois gosto muito do assunto. Estou com o livro “Neuromancer” em minha lista de leitura, que, infelizmente e felizmente, não sei, está cheia de Modernismo brasileiro ( pra faculdade). Mudando de assunto, confesso que também pegaria o Serj Tankian, já que ele tem uma “coisa” que me atrai, não sei exatamente o que é. Também descobri Yann Tiersen por meio de ” O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”.

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