A meio passo de um chinelo e um pé descalço

“Noemi Jaffe (51), professora, crítica literária e autora das obras O Que os Cegos Estão Sonhando? e A Verdadeira História do Alfabeto chegou ao estúdio às 14h para a nossa entrevista. Ela estava de bom humor, inclusive contando anedotas, enquanto dispunha sua bolsa Louis Vuitton no chão e desfilava com seu lindo vestido branco em direção a cadeira. Elogiamos o seu corte de cabelo atual e, após uma maquiagem leve e uma série de fotos, demos início as perguntas.”
Seria muito fútil de minha parte descrever essa experiência como se tudo adentrasse o ambiente das revistas de moda. E, provavelmente, estou sob a influência de algumas delas. A Telva, por exemplo: vende na livraria em que trabalho e é uma espécie de revista Cláudia das espanholas (mas vale a pena porque vem com quatro páginas sobre livros e até um brinde. O de janeiro, por exemplo, foi uma agenda linda, com ilustração de Manuel Canovas, como a que abre essa crônica, logo acima). A outra revista é a Gloss desse mês de maio, que trouxe a blogueira Julia Petit na capa, entrevistas com blogueiras que deram certo e um passo-a-passo de como fazer o seu blog ir adiante e dar frutos, além de dinheiro no bolso. Bom, na maioria das vezes acredito que é questão de dedicação e pura sorte, mas, para não entrar nesses meandros, devo dizer que tive sim a sorte de entrevistar uma escritora, acontecimento inédito aqui no blog.
Não cheguei a encontrar a Noemi pessoalmente. Quem fez o contato foi a Diana Passy, responsável pelas parcerias dos blogs com a editora Companhia das Letras. Depois que fiz essa resenha, a Diana sugeriu a entrevista. “Acho que a Noemi topa”, ela escreveu. Me senti honrada com a confirmação da autora. Decidi fazer perguntas simples, diretas e de interesse para os leitores desse espaço, sobretudo para não incomodar tanto a Noemi. Toda a entrevista foi feita através de e-mails, portanto, gosto de imaginar que a Noemi estivera a meio passo de um chinelo e um pé descalço, algo confortável, prazeroso. Lá vai:

1. Quando você decidiu ser escritora?
Não sei se algum dia decidi isso. Nunca concebi a vida sem escrever, mas tornar-me escritora foi acontecendo. Até hoje dou um peso tão grande a essa palavra e ela é tão inacessível para mim que ainda não consigo me habituar a ser reconhecida como escritora. Se me perguntam sobre meu trabalho, costumo responder automaticamente: sou professora. Só um pouco depois é que me dou conta de que deveria ter dado outra resposta.

2. Você tem algum conselho a dar para quem deseja seguir nessa carreira?
Sim, acho. Não desista, porque o caminho é muito difícil. Escreva com regularidade. Não acredite em inspiração, mas em trabalho.

3. Você possui um espaço virtual muito criativo, o Quando Nada Está Acontecendo. Seu blog é uma extensão de sua obra mais recente (A Verdadeira História do Alfabeto) ou o seu livro surgiu por conta das publicações em seu blog?
O blog e o livro não têm relação, a não ser pelo fato de que ambos buscam brincar com as palavras e com suas origens. O livro é bem posterior ao blog. Sobre o blog, há um outro livro meu, chamado Quando Nada Está Acontecendo, que saiu pela editora Martins.

4. Como surgiu a ideia de contar a história do alfabeto?
Surgiu a partir de um livro do David Grossman, A Mulher Foge, em que duas personagens criam um hospital para palavras doentes. Mas sempre me interessei por línguas, alfabetos e pela origem das palavras.

5. Que processo de pesquisa você utilizou para compor as histórias do livro?
Ninguém acredita, mas foi basicamente o bom e velho Google, além de leituras que eu já conhecia e outras que fui pesquisar.

Você pode adquirir a obra mais recente de Noemi Jaffe clicando aqui, aqui, aqui ou aqui.

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6 respostas em “A meio passo de um chinelo e um pé descalço

  1. “Não acredite em inspiração, mas em trabalho”. Muito verdade.
    Escrevi um livro, confesso. E está impresso, numa gaveta, esperando eu ter tempo e saco de ir lá, adaptar (eu escrevi originalmente em inglês, num site para “cellphone novels”, ambientado no Japão) e a ideia veio de tudo. Tem um pouco da minha vida e da vida de outras pessoas… realmente é difícil escrever. Dá medo, muito medo. E lá está meu livro, o original em inglês escrito há cinco anos, a tradução que eu mesma fiz parada há dois…

  2. Ótima entrevista. Achei que as perguntas foram muito bem escolhidas e acredito que interessem a todos que passam por aqui (ou sou só eu que tenho pretensões literárias?). Parabéns pela primeira entrevista do blog, tenho certeza que muitas outras virão.
    Beijos.

  3. Que lindo, Nina. Parabéns pela entrevista, isso é um reconhecimento enorme.
    Gostei dos conselhos dela. (;

  4. Ahh, adorei a resenha que você havia feito do livro. A entrevista seguiu a impressão que tive da autora.
    Parabéns pela entrevista!!! :)
    E realmente escrever é questão de perseverança (e um bocadinho de sorte/oportunidade… rsrs)

    Beijos

  5. O que eu achei mais interessante foi o que ela disse para quem quer seguir a carreira. Não que eu queira ou nada, mas achei esse lance de “não acredite em inspiração” muito foda.

    obs: obrigado pelas dicas de sites feministas, nina. Usei-os para o trabalho.

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